Entenda a sensação de “falta de tempo” constante nos dias atuais

Foto: Shutterstock

Por: Maria Luiza Venturelli

21/11/2022 - 13:11 - Atualizada em: 23/05/2024 - 10:57

Confira o texto da terapeuta Vera Alice Diehl sobre o tema:

O tempo tem um papel importante em nosso crescimento, vida e morte. Tempo é movimento continuo organizado, que segue em frente, nos impulsionando ao crescimento. Cada decisão vai se somando a outras e assim construímos nossa história individual dentro do coletivo. Por não podermos voltar no tempo, nem adiantar ou acelerar, sofremos. O desejo de ter algo novamente, de voltar ao passado, e que não é possível ter, deprimimos. O desejo de parar o tempo ou acelerar, geram angústia e ansiedade. A sensação de “falta de tempo”, criada pela nossa mente e rotina, sufoca, acelera os batimentos cardíacos, gera angústia e medo. A falta de tempo pode ser comparada ao fim, a morte. E vivemos nesse impasse, em querer voltar no tempo, nos adiantarmos, sempre fugindo da realidade.

Aprender a estar no tempo, no momento presente, com certeza torna-se a cada dia mais desafiante. Novidades aparecem a todo momento e o mundo virtual contribui para nos entreter e já não somos capazes de compreender o que realmente é importante. Aquele tempo para falar com as pessoas, olhar nos olhos, passear com o cachorro, cuidar da alimentação, ler um bom livro. E principalmente de nos percebemos. Ter aquele momento íntimo, refletir, sentir o corpo, ouvir o coração… Estamos correndo para onde? Por que tanta pressa? Perguntas que merecem a nossa atenção!

E voltando no tempo, para o início de tudo : sua concepção, que tem memórias e sensações, seu parto, infância, pré adolescência, maioridade. Todas as informações destas etapas estão em você! Você é a soma de todos os momentos, sensações e emoções, um arquivo vivo. O que nos mantém presos nos problemas ou nos liberta: são as emoções junto com uma postura corporal. Sendo que as emoções são somáticas, vão se somando e quando não expressas, são reprimidas. Como uma represa que está prestes a explodir! E antes de explodir a pessoa vai sentir muitos sintomas da ansiedade e ter momentos depressivos, tudo para tentar segurar e não deixar vir a tona o que guardando. Esse medo vem da nossa mais tenra idade, no primeiro choro que recebeu um “shhhh”, depois uma chupeta. Tudo para nos calar. Calar a voz emocional alimenta a depressão. Sem expressão você ainda não nasceu para o mundo, está escondido, no escuro. Não é de admirar que as pessoas depressivas optem por ficar em casa, locais com pouca luz, preferindo ambientes mais escuros. A conexão entre o sentir, o corpo e a mente gera movimento corporal e vocal. A perda desse contato tristeza é apatia.

Já a ansiedade que mora num excesso de movimento, toda a energia está mais situada na parte superior do corpo, principalmente na cabeça. Nossa mente, tem por função planejar, organizar, comparar, analisar. Podemos planejar como fazer, mas a execução é do corpo. Viver na mente é estar descorporificado. Sem a presença do sentir e concretizar. Eu quero que tudo aconteça como eu planejei e no meu tempo. O medo de não ter o controle gera ainda mais insegurança e ansiedade. A pessoa se sente flutuando, sem estabilidade, no mundo da lua. Dificuldade em dar corpo as coisas de sair do mundo das ideias. A comunicação ansiosa não permite que o outro receba a informação e tenha tempo para digerir. A reação é imediata.

Buscar o autoconhecimento ajuda no processo de equilíbrio pessoal e crescimento para como adultos buscarmos recursos e ferramentas para lidarmos com os desafios do crescimento e evolução.

Texto de Vera Alice Diehl, terapeuta especialista em ansiedade que te ajuda a ter consciência de quem você é e construir uma vida que é sua.

Foto: Arquivo Pessoal

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Maria Luiza Venturelli

Jornalista apaixonada por contar histórias inspiradoras, formada pela Faculdade Ielusc