Jaraguá do Sul é hoje reconhecida como um dos principais polos industriais de Santa Catarina e sede de empresas com atuação nacional e internacional.
Esse protagonismo econômico, porém, não surgiu de forma imediata. Foi construído ao longo de décadas, em um processo gradual que começou quando a cidade ainda tinha base essencialmente agrícola.
As origens do desenvolvimento
Os primeiros sinais dessa transformação remontam à fundação do Estabelecimento Jaraguá, criado por Emílio Carlos Jourdan. Para estruturar o empreendimento, o colonizador contratou ferreiros, marceneiros, carpinteiros, pedreiros e lavradores, muitos deles vindos do Nordeste brasileiro.
Em julho de 1876, foram inaugurados engenho de açúcar, fábrica de farinha de mandioca e de fubá, olaria e serraria. Ainda ligadas ao campo, essas atividades já representavam algo além da simples produção agrícola: a transformação de matérias-primas em produtos de maior valor agregado.
Por isso, esse momento é apontado como uma das bases da industrialização local. Com o passar do tempo, muitos trabalhadores permaneceram na região, enquanto terras passaram a ser vendidas a imigrantes, ampliando a ocupação e a atividade econômica.

Famac foi uma das primeiras indústrias metalúrgicas em Jaraguá do Sul. Foto: Arquivo Histórico
O impulso da ferrovia e das primeiras indústrias

Foto Arquivo Histórico de Jaraguá do Sul
A chegada da ferrovia, em 1910, foi decisiva para o crescimento de Jaraguá do Sul. O trem facilitou o escoamento do excedente agrícola e dos produtos manufaturados, conectando o município a novos mercados e impulsionando a economia.
A geografia também favoreceu esse avanço. Cortada pelos rios Itapocu e Jaraguá, a cidade atraiu empreendimentos que utilizavam a água como recurso produtivo.

Foto: Antigamente em Jaraguá do Sul
Registros históricos mostram que, antes da consolidação fabril, Jaraguá já contava com negócios voltados à transformação de produtos locais.
Entre eles estavam a Charutaria Butzke, que produzia cigarros com tabaco cultivado na região; a Queijaria e Firma Weege, fundada em 1906 por Wilhelm e Wolfgang Weege, voltada à produção de laticínios; além de curtumes e pequenas manufaturas.
Outro marco veio em 1936, com a fundação da Malharia Marquardt, por Henrique Marquardt e seu filho Heinz Marquardt. A empresa impulsionou o setor têxtil e abriu caminho para um segmento que faria Jaraguá do Sul ganhar destaque estadual e nacional nas décadas seguintes.
A consolidação industrial
Entre as décadas de 1930 e 1960, Jaraguá do Sul entrou em uma nova fase de desenvolvimento. Melhorias nas redes de energia, transportes, crédito e o crescimento populacional criaram as condições para o fortalecimento de pequenas e médias indústrias.
No início dos anos 1940, o município já era considerado o quarto mais industrializado de Santa Catarina, demonstrando a força de sua economia em expansão.
A partir da década de 1960, a cidade se integrou de forma mais intensa à economia nacional. Empresas locais se consolidaram, novas marcas surgiram e as exportações passaram a ganhar escala.

Foto: Divulgação/WEG
Entre os nomes que nasceram em Jaraguá do Sul e se tornaram referência estão WEG, Malwee, Marisol, Duas Rodas e Menegotti.
Essas empresas ampliaram a geração de empregos, modernizaram a produção e projetaram Jaraguá do Sul no cenário econômico brasileiro.
A urbanização do município acompanhou essa mudança de perfil. Dados do IBGE indicam que até 1970 havia mais moradores na área rural do que na urbana. A proporção se inverteu na década de 1980 e, no fim dos anos 1990, a maioria da população já vivia na cidade.
O avanço industrial de Jaraguá do Sul é resultado de uma combinação de fatores: tradição empreendedora, mão de obra qualificada, reinvestimento constante, diversificação econômica e forte cultura de trabalho.