A bananicultura enfrenta um cenário de dificuldades em Santa Catarina. A combinação entre custos elevados de produção e preços baixos na comercialização tem pressionado a renda dos agricultores e gerado preocupação com a continuidade da atividade. Em Corupá, um dos municípios de destaque na produção de banana, o produtor Cássio Sidney Hausc avalia que 2026 tem sido um ano especialmente desafiador para o setor.
Segundo ele, além das despesas necessárias para manter as plantações, as condições climáticas também têm influenciado diretamente a produção e o comportamento do mercado. O fenômeno El Niño tem provocado atrasos na colheita e contribuído para a concentração da oferta da fruta, especialmente com a entrada da produção de outras regiões e estados do país.
“Além dos custos de produção, o fenômeno El Niño também tem prejudicado a atividade, provocando atrasos na nossa produção e concentrando a oferta da fruta com a produção de outras regiões e estados do país”, destaca Hausc.
Atualmente, os valores recebidos pelos produtores podem variar entre R$ 0,60 e R$ 0,90 por quilo. A remuneração preocupa os agricultores, que precisam arcar com despesas de manutenção das plantações, mão de obra, insumos e transporte. Com os custos elevados e os preços reduzidos na venda, a margem financeira das propriedades fica comprometida, dificultando o planejamento e a manutenção da atividade.
Setor busca alternativas para enfrentar a crise
Diante das dificuldades, representantes do setor defendem a busca por alternativas para minimizar os impactos econômicos sobre os produtores.
O engenheiro agrônomo da ASBANCO (Associação dos Bananicultores de Corupá), Samir Paulinho Venera Júnior destaca que, após uma reunião com agricultores, a intenção é ampliar o diálogo com representantes do poder público e do comércio para encontrar soluções.
Uma das iniciativas previstas é buscar um entendimento com os supermercadistas, considerados os principais canais de comercialização da fruta na região. A proposta é discutir alternativas que contribuam para melhorar os preços pagos aos produtores e equilibrar a cadeia de comercialização.
“Precisamos buscar alternativas em conjunto para minimizar os impactos dessa crise. A ideia é conversar com o poder público e, principalmente, com os supermercados, que são os principais canais de comercialização da banana na região”, destaca o engenheiro agrônomo.
A preocupação é garantir condições para que os agricultores consigam manter a produção, mesmo diante do cenário de custos elevados e dificuldades de mercado.
A banana tem participação importante na agricultura catarinense e movimenta a economia de diversos municípios. Por isso, as dificuldades enfrentadas pelos produtores também acendem um alerta para toda a cadeia produtiva.

