A cobertura triplex onde a empresária Elize Matsunaga matou e esquartejou o marido, o executivo Marcos Matsunaga, em maio de 2012, foi colocada à venda por R$ 2,8 milhões. O imóvel fica na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, e reúne uma série de itens de alto padrão, como piscina privativa, sauna seca com área de descanso, adega climatizada, cinco suítes, quatro vagas de garagem, dois depósitos no subsolo e vista panorâmica da cidade. Construída em 1990, a cobertura ocupa quatro pavimentos do edifício.

O imóvel resulta da união de duas coberturas adquiridas pelo casal. Na época em que viviam no local, os apartamentos ocupavam dois andares e totalizavam aproximadamente 370 metros quadrados. O projeto interno era composto por corredores estreitos que conectavam diversos ambientes, entre eles salas de estar e jantar, escritório, copa, bar, lareira, suítes e varandas. No terraço estavam a churrasqueira e a piscina. Um dos dormitórios foi adaptado para funcionar como adega climatizada, destinada à coleção de vinhos do empresário.

Outro cômodo era reservado à jiboia Gigi, criada pelo casal como animal de estimação. O réptil permanecia em um recinto com banheira de fibra coberta por uma tampa de vidro e uma estrutura de madeira onde costumava se enrolar. De acordo com relatos da época, era comum o animal circular livremente pela cobertura e até permanecer próximo à piscina para tomar sol.
A noite do crime
Foi na sala do apartamento que o crime teve início. Na noite de 19 de maio de 2012, Marcos e Elize discutiram após ela descobrir um relacionamento extraconjugal do marido. Depois de sair para buscar uma pizza, o empresário retornou ao imóvel e a discussão foi retomada. Segundo o depoimento de Elize, ela apresentou fotografias que comprovavam a traição e, durante a briga, Marcos passou a ofendê-la. Nesse momento, ela efetuou um disparo na cabeça do marido com uma pistola. Horas mais tarde, por volta das 23h, levou o corpo para um quarto de hóspedes.

Na manhã seguinte, cerca de dez horas após o homicídio, Elize deixou a filha do casal, então com nove meses, sob os cuidados da babá e voltou ao quarto onde estava o corpo. Durante aproximadamente seis horas, ela desmembrou o cadáver utilizando uma faca de cozinha. As partes foram colocadas em sacos plásticos, distribuídas em três malas e levadas de carro até uma área de mata em Cotia, na Grande São Paulo, onde foram abandonadas. Os volumes acabaram localizados dias depois durante as investigações.

Ao longo da apuração, Elize confessou o assassinato e participou da reconstituição do crime realizada no próprio apartamento, indicando aos peritos o trajeto percorrido dentro do imóvel após o disparo. A admissão ocorreu depois que a Polícia Civil reuniu provas que a vinculavam à ocultação do cadáver, incluindo vestígios de terra encontrados em sua bota, compatíveis com o local onde os restos mortais foram descartados.
Em 2016, Elize Matsunaga foi condenada pelo Tribunal do Júri a 19 anos, 11 meses e um dia de prisão pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Posteriormente, o Tribunal de Justiça de São Paulo reduziu a pena para 16 anos, 3 meses e 3 dias. Atualmente, ela cumpre o restante da condenação em regime aberto e reside em Franca (SP), onde trabalha na confecção de roupas para animais de estimação.
As duas coberturas foram adquiridas por Marcos Matsunaga em 2008. Uma delas foi registrada em nome de Elize por meio de doação. Com a condenação pelo assassinato do marido, porém, ela perdeu o direito ao imóvel. Ainda assim, a disputa judicial sobre a propriedade se prolongou por vários anos. Somente após a conclusão desse processo é que ambas as unidades passaram a constar integralmente em nome dos pais de Marcos, que decidiram colocar a cobertura à venda.

Apesar de ter perdido a participação no imóvel, Elize recebeu recursos provenientes da divisão da adega de vinhos do casal. Avaliada inicialmente em cerca de R$ 3 milhões, a coleção teve seu valor reduzido para R$ 1,8 milhão durante o inventário. Em acordo firmado entre as famílias, os pais de Marcos adquiriram a parte que cabia à ex-nora por R$ 900 mil. Segundo informações do processo, o montante foi utilizado para custear sua defesa nas ações criminais e cíveis, incluindo a tentativa de retomar o contato com a filha do casal, objetivo que ainda não foi alcançado na Justiça.

Elize na reconstituição do crime no apartamento que está à venda
Embora esteja anunciada por R$ 2,8 milhões, a cobertura é oferecida por um valor cerca de 32% inferior ao preço médio de mercado, de acordo com a imobiliária responsável pela negociação. Enquanto imóveis semelhantes no mesmo edifício são avaliados em aproximadamente R$ 3,247 milhões — cerca de R$ 12,1 mil por metro quadrado —, o apartamento onde ocorreu o crime está sendo ofertado por cerca de R$ 8,2 mil o metro quadrado. Representantes da família Matsunaga afirmaram à reportagem do g1 que o imóvel já teria sido vendido. Apesar disso, os anúncios continuam ativos em pelo menos três imobiliárias e ainda permitem o agendamento de visitas.