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Cientistas estudam bactéria modificada que pode “comer” tumores por dentro

Foto: divulgação

Por: Isabelle Stringari Ribeiro

14/03/2026 - 06:03

Pesquisadores da University of Waterloo, no Canadá, estão investigando uma estratégia inovadora no combate ao câncer: utilizar uma bactéria modificada em laboratório capaz de crescer dentro do tumor e ajudar a destruir o tecido canceroso de dentro para fora.

A ideia surgiu a partir de uma característica comum de muitos tumores sólidos. O interior dessas estruturas costuma ter pouco ou nenhum oxigênio, criando um ambiente ideal para alguns tipos de microrganismos.

Com base nisso, os cientistas passaram a estudar se determinadas bactérias poderiam se multiplicar dentro do tumor e reduzir sua estrutura internamente, abrindo caminho para novas formas de tratamento da doença.

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Bactéria cresce no centro do tumor

O estudo utiliza a bactéria Clostridium sporogenes, um microrganismo normalmente encontrado no solo. Ela tem uma característica importante: só consegue viver em ambientes sem oxigênio.

Segundo os pesquisadores, o centro de muitos tumores apresenta exatamente esse tipo de condição. Nessas regiões, há células mortas, poucos vasos sanguíneos e baixa circulação de oxigênio, o que favorece o crescimento da bactéria.

Quando os esporos da bactéria entram no tumor, encontram nutrientes e começam a se multiplicar.

“O esporo entra no tumor e encontra um ambiente com muitos nutrientes e sem oxigênio, que é o que esse organismo prefere. Então ele começa a consumir esses nutrientes e crescer”, explicou Marc Aucoin, professor de engenharia química da University of Waterloo.

Com isso, as bactérias passam a ocupar o interior do tumor e ajudam a reduzir parte do tecido canceroso.

Limite natural da bactéria

Durante os experimentos, os cientistas perceberam que o microrganismo tem um limite natural. Quando a bactéria se aproxima das regiões externas do tumor, entra em contato com pequenas quantidades de oxigênio presentes no organismo.

Nesse ambiente, ela não consegue sobreviver.

Por causa disso, a bactéria atua principalmente no centro do tumor, mas não consegue destruir completamente toda a estrutura. Esse desafio levou os pesquisadores a buscar maneiras de tornar o microrganismo mais resistente ao oxigênio.

Modificação genética para melhorar o tratamento

Para tentar resolver o problema, os cientistas adicionaram à bactéria um gene de outro microrganismo semelhante, capaz de tolerar melhor o contato com oxigênio.

A ideia é permitir que a bactéria continue ativa por mais tempo nas áreas próximas às bordas do tumor. No entanto, isso exigiu cuidado extra.

Se a resistência ao oxigênio estivesse ativa desde o início, a bactéria poderia crescer em outras partes do corpo, como na corrente sanguínea. Para evitar esse risco, os pesquisadores desenvolveram um mecanismo de controle baseado em um processo natural chamado Quorum Sensing.

Nesse sistema, as bactérias liberam substâncias químicas que funcionam como sinais. Quando poucas estão presentes, o sinal é fraco. À medida que a população aumenta, o sinal se intensifica.

Somente quando muitas bactérias já estão concentradas dentro do tumor é que o gene de resistência ao oxigênio é ativado.

Próximos passos da pesquisa

Agora, os pesquisadores trabalham para reunir as duas modificações — o gene de resistência ao oxigênio e o sistema de ativação controlada — na mesma bactéria.

Depois dessa etapa, a técnica deverá passar por estudos pré-clínicos, realizados antes dos testes em pacientes.

Os cientistas ressaltam que ainda será necessário um longo caminho de pesquisa até que esse método possa ser aplicado em tratamentos médicos. Mesmo assim, a descoberta abre uma nova possibilidade no desenvolvimento de terapias mais precisas contra o câncer.

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Isabelle Stringari Ribeiro

Jornalista de entretenimento e cotidiano, formada pela Universidade Regional de Blumenau (FURB).