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Cientistas descobrem como estimular regeneração do coração após infarto em camundongos

Foto: Canva

Por: Isabelle Stringari Ribeiro

03/10/2026 - 07:10

Cientistas dos Estados Unidos descobriram uma forma de reativar mecanismos naturais de regeneração do coração após um infarto. Em testes realizados com camundongos, o tratamento estimulou a multiplicação de células cardíacas, favoreceu a formação de novos vasos sanguíneos e reduziu o tecido de cicatriz causado pela lesão.

A pesquisa foi conduzida por cientistas do Sanford Burnham Prebys Medical Discovery Institute e publicada no dia 28 na revista científica Nature Cardiovascular Research.

Apesar dos resultados, o estudo ainda está em fase experimental e não foi testado em seres humanos.

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Tratamento reativa mecanismo de regeneração do coração

O coração adulto possui uma capacidade limitada de regeneração. Após um infarto, parte do músculo cardíaco é danificada e acaba sendo substituída por tecido cicatricial, que não consegue se contrair da mesma forma que as células saudáveis.

Os pesquisadores partiram de uma característica observada em corações de camundongos recém-nascidos. Nos primeiros dias de vida, esses animais conseguem regenerar o tecido cardíaco após uma lesão. Essa capacidade, porém, desaparece aproximadamente uma semana depois do nascimento.

A equipe buscou entender como reativar esse mecanismo em um coração adulto.

Mudança no metabolismo das células

Os cientistas descobriram que o bloqueio temporário de uma enzima chamada succinato desidrogenase altera a maneira como as células cardíacas produzem energia.

Nos experimentos, foi utilizada uma substância chamada malonato para bloquear temporariamente a enzima. A mudança fez com que o metabolismo das células se aproximasse de características observadas no coração durante os primeiros dias de vida.

Após o tratamento, os pesquisadores observaram sinais de regeneração do tecido cardíaco, incluindo a multiplicação de células musculares e a formação de novos vasos sanguíneos.

Diferentes células participam da recuperação

Um dos principais achados do estudo foi que a regeneração não depende de apenas um tipo de célula.

Nas células musculares do coração, conhecidas como cardiomiócitos, a alteração metabólica estimulou a multiplicação celular.

Já nos fibroblastos cardíacos, células que participam da formação do tecido cicatricial, o bloqueio da enzima contribuiu para reduzir a fibrose e melhorar a função cardíaca.

Segundo Ahmed Mahmoud, autor sênior do estudo e professor associado do Sanford Burnham Prebys, os resultados indicam que a recuperação ocorre por meio da interação entre diferentes tipos de células.

Genes ligados à regeneração também foram ativados

Os pesquisadores também analisaram o DNA das células após o tratamento.

Os resultados mostraram que regiões associadas a genes relacionados à regeneração e à multiplicação celular ficaram mais acessíveis. Ao mesmo tempo, houve redução da atividade de genes ligados à formação de cicatrizes.

Para os cientistas, a mudança metabólica parece ser capaz de reativar diferentes características presentes no processo de regeneração do coração neonatal.

Descoberta ainda precisa ser testada em humanos

Apesar dos resultados positivos nos camundongos, a pesquisa ainda está distante de se tornar um tratamento disponível para pacientes que sofreram um infarto.

Os próximos estudos deverão avaliar principalmente a segurança, eficácia e possibilidade de aplicação da técnica em seres humanos.

A expectativa dos pesquisadores é que, no futuro, o mecanismo possa contribuir para o desenvolvimento de uma terapia capaz de melhorar a recuperação do coração após um infarto.

Por enquanto, os resultados representam uma etapa experimental e não significam que já exista um tratamento capaz de fazer o coração humano se regenerar após um infarto.

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Isabelle Stringari Ribeiro

Jornalista de entretenimento e cotidiano, formada pela Universidade Regional de Blumenau (FURB).