A Prefeitura de Jaraguá do Sul vai investir cerca de R$ 6 milhões para revitalizar o Centro Histórico do município. O Edital de Concorrência Eletrônica foi lançado na última semana e o prazo para envio de propostas segue até 11 de fevereiro, quando será realizada uma sessão pública para analisar as ofertas.
Desenvolvido pela equipe técnica da Secretaria de Planejamento e Urbanismo, o projeto contempla uma área de 9.521,42 m² e a previsão é de que as obras durem, pelo menos, 10 meses. A execução será feita em etapas, visando reduzir os impactos no comércio local, no trânsito e na circulação de pedestres durante o período das intervenções.
A arquiteta Franciela Alvina Leitempergher explica que a proposta prevê a substituição total do piso por lajotas de concreto vibro-prensado (peças pré-moldadas produzidas por máquinas que compactam e vibram o concreto simultaneamente, eliminando bolhas de ar, resultando em alta densidade, resistência superior e acabamento uniforme). Isso vai garantir unidade visual e integração com o Calçadão da Marechal e a Praça Ângelo Piazera.
O projeto contempla ainda a renovação do mobiliário urbano, criação de novos espaços de convivência e interação, ampliação das áreas permeáveis e da vegetação e a renovação e ampliação do espaço infantil. “Após o restauro da Antiga Ferroviária — atual Centro Cultural e Museu da Paz — e a reforma do Mercado Público, chegou o momento de qualificar o espaço que conecta esses equipamentos”, completou Franciela.

Imagem do projeto | Foto: PMJS
Entre os destaques específicos do projeto está a reestruturação do parque infantil, que passará a ter brinquedos feitos de materiais naturais, como madeira e cordas, voltados a estimular experiências sensoriais.
A área destinada aos artesãos também será reformulada, com a construção de boxes e espaços de apoio para a Associação de Artesãos (Assarj), substituindo a estrutura antes localizada no Mercado Público.
Segundo o secretário de Planejamento e Urbanismo, Anselmo Luiz Jorge Ramos, a proposta incentiva o caminhar, o encontro, a permanência e a vida urbana na região central. “O projeto parte de um princípio simples e transformador: o espaço urbano precisa equilibrar circulação e convivência”, afirmou, completando que a revitalização do Centro Histórico vai valorizar o patrimônio urbano e tornar o centro mais atrativo e acolhedor para moradores, comerciantes e visitantes.
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Imagem do projeto | Foto: PMJS
Mercado Público como protagonista do Centro Histórico
Com um investimento de quase R$ 2,8 milhões, incluindo aditivos, a obra de reforma e restauro do prédio do Mercado Público, que integra o Centro Histórico, foi iniciada em abril de 2024 e entregue, com atraso no cronograma, no início de novembro de 2025. De lá para cá, a administração municipal vem estudando a forma de ocupação desse espaço.
O objetivo do prefeito Jair Franzner é consolidar o local como ponto estratégico de turismo, cultura e gastronomia, inspirado em experiências bem-sucedidas de cidades como Florianópolis e Curitiba. “A proposta vai além de um espaço comercial: trata-se de criar um ambiente de convivência, identidade cultural e valorização dos produtos e sabores locais, capaz de atrair tanto moradores quanto visitantes”, informou o secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Thiago Sarmanho.
Ainda de acordo com o secretário, neste momento a administração municipal está concentrada na definição de um “modelo de gestão sólido e sustentável”. Esse trabalho vem sendo conduzido de forma integrada entre o Gabinete do Prefeito, a Procuradoria-Geral do Município, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, a Secretaria de Esporte, Cultura e Lazer e a Secretaria de Planejamento e Urbanismo, com foco em garantir segurança jurídica, transparência e viabilidade operacional.
“Entendemos que o sucesso do Mercado Público depende de uma gestão integrada do espaço, que viabilize um mix de operações que se complementem — gastronomia, cultura, produtos locais e artesanais, serviços e experiências — capaz de gerar fluxo qualificado, ampliar a permanência do público e fomentar o dinamismo econômico. É essa visão integrada que estamos estruturando, para que o Mercado Público cumpra seu papel como indutor de desenvolvimento, turismo e valorização da cidade, como protagonista do Centro Histórico de Jaraguá do Sul”, completou o secretário.
Sarmanho finalizou informando que na tarde desta sexta-feira (6), será realizada uma reunião convocada pelo Gabinete do Prefeito para validar em conjunto o modelo proposto.
Prédio foi construído em 1965 e acompanhou o desenvolvimento da cidade
Segundo informou a historiadora Sílvia Kita, o prédio do Mercado Público foi construído por Albano Kanzler e sua equipe de pedreiros, quando a administração municipal estava a cargo de Roland Harold Dornbusch, e inaugurado em 17 de setembro de 1965, com o objetivo de atender a uma reivindicação dos agricultores locais, que queriam comercializar seus produtos diretamente para o consumidor final. O imóvel foi tombado pelo Patrimônio Histórico, por meio do Decreto Municipal nº 9018, de 5 de dezembro de 2012, e integra o conjunto arquitetônico que compõe o Centro Histórico de Jaraguá do Sul.

Mercado Público Municipal foi inaugurado em 17 de setembro de 1965 | Foto: PMJS
“Os anos 1960 foram sinalizados pelo surgimento no cenário fabril de Jaraguá do Sul de importantes empresas, como a WEG, Malhas Malwee, Marisol e outras, que projetaram a imagem empreendedora de nossa cidade no cenário nacional e internacional. Nessa época surgiu a necessidade de um espaço público para que a nova classe social, principalmente a dos operários, pudesse comprar produtos fresquinhos, como batata, taiá, cará, aipim, verduras, frutas, carnes e outros”, conta Sílvia.
De acordo com a historiadora, terminada a administração do prefeito Roland Harold Dornbusch, por volta de 1967, o prefeito Victor Bauer destinou nova finalidade para o prédio do Mercado Público, que passou a receber várias destinações para os serviços das repartições públicas municipais. Em 2002, na gestão do prefeito Irineu Pasold, a área do Mercado Público foi revitalizada, voltando à sua função original.

Objetivo é tornar o Mercado Público Municipal um ponto estratégico de turismo, cultura e gastronomia, como ocorre em Florianópolis e Curitiba | Foto: PMJS

Parte do Centro Histórico, onde funciona a Biblioteca Pública Municipal Ruy Barbosa | Foto: PMJS