Para quem ama se exercitar e não perde uma oportunidade de fazer atividades físicas, uma dúvida comum surge: é melhor fazer cárdio antes ou depois da musculação?
A resposta depende dos seus objetivos e da forma como seu corpo responde ao exercício. De acordo com o Dr. Fábio Vieira, PhD em Ciências do Movimento Humano e Pós-Doutor em Neurociências, o exercício cardiovascular é uma ferramenta poderosa para a saúde e o desempenho físico. Seus principais benefícios incluem:
- Melhora da saúde cardiovascular: fortalece o coração, reduzindo o risco de doenças cardíacas;
- Aumento da resistência e condicionamento físico: melhora a capacidade aeróbica e a eficiência do oxigênio no corpo;
- Auxílio na queima de gordura: contribui para o déficit calórico e a redução do percentual de gordura corporal;
- Regulação do humor e redução do estresse: promove a liberação de endorfinas, dopamina e serotonina, combatendo a ansiedade e a depressão;
- Melhora da função cognitiva: estimula a plasticidade cerebral e a memória;
- Controle do açúcar no sangue: melhora a sensibilidade à insulina e auxilia na prevenção do diabetes tipo 2.
Cárdio antes do treino: vale a pena?
“Fazer cárdio antes da musculação pode ser benéfico para quem deseja melhorar a resistência cardiovascular ou precisa de um aquecimento mais intenso. Além disso, essa estratégia pode ajudar na ativação neuromuscular e na melhora da circulação sanguínea para os músculos”, declara o médico.
No entanto, existe um ponto de atenção: o cansaço gerado pode comprometer o desempenho na musculação, especialmente em exercícios de força máxima.
Se o foco principal for o ganho de massa muscular, priorizar a musculação e deixar o cárdio para depois pode ser mais eficiente. Estudos apontam que realizar cárdio antes do treino pode reduzir a força e o volume total de repetições, impactando o estímulo para a hipertrofia.
Cárdio depois do treino: é a melhor opção?
A maioria dos especialistas recomenda o cárdio após a musculação quando o objetivo é ganho de força ou hipertrofia. “Dessa forma, você consegue treinar com mais energia e intensidade, maximizando o estímulo muscular. Além disso, ao terminar o treino de força e iniciar o cárdio, seu corpo pode utilizar mais gordura como fonte de energia, o que pode ser interessante para quem busca definição muscular”, orienta o profissional.
Por outro lado, se o objetivo for melhorar a performance aeróbica ou preparar-se para esportes de resistência, priorizar o cárdio e deixar a musculação para depois pode ser mais adequado.
O que a neurociência diz sobre isso?
“O cárdio e a musculação afetam nosso cérebro de formas distintas. Exercícios aeróbicos melhoram a plasticidade neuronal e aumentam a produção de neurotransmissores como a dopamina e a serotonina, promovendo bem-estar e foco. Já o treino de força estimula o sistema nervoso central, exigindo coordenação e controle motor”, explica o Dr. Fábio.
Alternar entre os dois tipos de treino sem comprometer o desempenho exige estratégia. Uma abordagem eficaz pode ser separar os treinos em horários distintos do dia ou em dias alternados, dependendo da rotina e dos objetivos individuais.
A escolha ideal depende do contexto individual e da periodização do treinamento. O mais importante é manter a consistência e alinhar o planejamento às suas necessidades. “Se possível, conte com um profissional para personalizar seu treino de acordo com seus objetivos”, finaliza o médico.