Integrando a programação alusiva aos 150 anos de Jaraguá do Sul, na manhã desta sexta-feira (12), autoridades, imprensa e representantes de entidades se reuniram na Estação Cultural para a abertura da Arca do Centenário, enterrada na praça Ângelo Piazera em 1976, para marcar as comemorações dos 100 anos do município. A ideia dos gestores da época foi guardar ali registros diversos de Jaraguá do Sul, a fim de transmitir a gerações futuras as memórias e sentimentos representativos daquele tempo. Ao abrir a “cápsula do tempo” 50 anos depois, mais do que objetos antigos, os itens deixados nela representam a essência de uma época.
A cerimônia que antecedeu a abertura da arca foi breve, mas carregou um simbolismo muito forte. Personalidades que viveram de perto as celebrações do centenário estavam presentes hoje, o que deixou o momento ainda mais significativo. Algumas pessoas até lembravam de determinados objetos colocados na arca. “Deixei um cartão da minha empresa e um chaveiro”, disse Curt Ness, criador de conteúdo e figura conhecida na cidade.

A abertura da arca ocorreu em uma sala especialmente preparada, e seguiu um protocolo de biossegurança onde somente a equipe técnica, devidamente paramentada, e pessoas autorizadas tiveram acesso. Os demais convidados acompanharam a retirada dos itens por uma porta de vidro.
Ao abrir a caixa de metal, os técnicos se depararam com bastante água em seu interior, o que danificou alguns papeis encontrados. Mesmo assim, vários itens estavam intactos, entre eles: moedas, partes de tecidos, chaveiro, brasão do município, peças publicitárias do centenário, jornais da época, um disco de vinil, uma régua e um mini-chapéu, entre outros materiais.
“Encontramos história, sentimentos, sonhos e o olhar daqueles que, no passado, pensaram no futuro da nossa cidade. Jaraguá do Sul é, o que é hoje, graças ao esforço coletivo daqueles que acreditaram na nossa cidade, trabalharam com empenho e coragem”, disse o prefeito Jair Franzner.

“Estarmos aqui hoje, é história, significa o valor dado às nossas raízes. Jaraguá do Sul de hoje é a soma de vivências, de influências culturais, de todas as matizes e matizes. A história é exatamente isso, nos guia através dos fatos, a entendamos como chegamos aqui”, pontuou a secretária de Cultura, Esporte e Lazer, Ivana Atanásio Dias.
“O símbolo que a arca representa é o pensamento das pessoas daquele tempo de deixar um recado para a gente e de também nos mostrar, aqui representado fisicamente, a importância de preservar a memória. Quem tem memória sabe para onde está indo”, frisou o presidente da Comissão dos 150 anos, Luís Hufenüssler Leigue.
Próximos passos
Por enquanto os materiais encontrados dentro da arca não poderão ficar expostos. A equipe técnica terá um trabalho minucioso pela frente. Cada item será separado e colocado para secar em uma secadora de documentos do Arquivo Histórico. O passo seguinte é fazer a estabilização dos materiais. “Posteriormente, vamos fazer um tratamento com banho e desacidificação nesses documentos, com auxílio de outros técnicos. Na sequência, vamos fazer toda a identificação técnica, fotografar e expor o que for possível”, explicou Sílvia Kitta, integrante da equipe técnica da Comissão de Memória e Repertório dos 150 anos.