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Cão comunitário Orelha foi enterrado em Ponta das Canas; perícia não descarta agressão

Foto: Divulgação

Por: Isabelle Stringari Ribeiro

01/03/2026 - 07:03 - Atualizada em: 28/02/2026 - 20:10

O cão comunitário Orelha, encontrado morto na Praia Brava, em Florianópolis, foi enterrado nos fundos de uma residência em Ponta das Canas, próximo a um muro de pedras e a uma pequena árvore. O corpo do animal foi posteriormente exumado para a realização de um novo exame pericial.

De acordo com o laudo, o cão foi enterrado diretamente no solo, sem qualquer tipo de embalagem ao redor do corpo. Por não haver proteção entre o animal e a terra, os peritos também recolheram uma porção do solo como margem de segurança, com o objetivo de preservar possíveis vestígios para análise.

Corpo estava em fase de esqueletização, aponta laudo

No momento da exumação, o corpo de Orelha já se encontrava em fase avançada de esqueletização, sem presença de tecidos moles, como pele e órgãos, o que comprometeu parte das análises periciais. Alguns ossos, principalmente os menores das extremidades das patas, já estavam desprendidos do corpo.

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Segundo o exame, não foram identificadas fraturas ou lesões ósseas que indicassem, de forma direta, ação humana sobre a ossada do animal.

Ausência de fraturas não exclui trauma cranioencefálico

Apesar da inexistência de fraturas, o laudo pericial ressalta que o resultado não elimina a possibilidade de o cão ter sido vítima de agressões. Conforme o documento, a maioria dos traumas cranioencefálicos não provoca fraturas nos ossos, mas ainda assim pode levar o animal à morte.

“A ausência de fraturas no esqueleto do animal não deve ser interpretada como ausência de trauma cranioencefálico ou de lesões em outras partes do corpo”, destaca o laudo.

Tipos de trauma cranioencefálico em animais

Os efeitos do trauma cranioencefálico são classificados como primários e secundários:

  • Primários: ocorrem no momento da agressão, como fraturas, contusões cerebrais e lacerações.

  • Secundários: surgem de forma tardia, minutos ou dias após o trauma, incluindo edema cerebral, inflamação e aumento da pressão intracraniana.

O surgimento desses efeitos depende de diversos fatores, como:

  • Resposta individual do animal

  • Tipo de instrumento utilizado

  • Intensidade e velocidade do impacto

  • Idade do animal

Perícia considera possível agravamento progressivo do quadro

Segundo os peritos, é plenamente plausível que o cão tenha sofrido um trauma contundente na cabeça em um dia e apresentado agravamento clínico progressivo, evoluindo para a morte no dia seguinte.

“É plenamente plausível que o animal tenha sofrido um trauma contundente em cabeça em um dia e piorado clinicamente de forma progressiva até o outro”, conclui o laudo pericial.

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Isabelle Stringari Ribeiro

Jornalista de entretenimento e cotidiano, formada pela Universidade Regional de Blumenau (FURB).