O cão comunitário Orelha, encontrado morto na Praia Brava, em Florianópolis, foi enterrado nos fundos de uma residência em Ponta das Canas, próximo a um muro de pedras e a uma pequena árvore. O corpo do animal foi posteriormente exumado para a realização de um novo exame pericial.
De acordo com o laudo, o cão foi enterrado diretamente no solo, sem qualquer tipo de embalagem ao redor do corpo. Por não haver proteção entre o animal e a terra, os peritos também recolheram uma porção do solo como margem de segurança, com o objetivo de preservar possíveis vestígios para análise.
Corpo estava em fase de esqueletização, aponta laudo
No momento da exumação, o corpo de Orelha já se encontrava em fase avançada de esqueletização, sem presença de tecidos moles, como pele e órgãos, o que comprometeu parte das análises periciais. Alguns ossos, principalmente os menores das extremidades das patas, já estavam desprendidos do corpo.
Segundo o exame, não foram identificadas fraturas ou lesões ósseas que indicassem, de forma direta, ação humana sobre a ossada do animal.
Ausência de fraturas não exclui trauma cranioencefálico
Apesar da inexistência de fraturas, o laudo pericial ressalta que o resultado não elimina a possibilidade de o cão ter sido vítima de agressões. Conforme o documento, a maioria dos traumas cranioencefálicos não provoca fraturas nos ossos, mas ainda assim pode levar o animal à morte.
“A ausência de fraturas no esqueleto do animal não deve ser interpretada como ausência de trauma cranioencefálico ou de lesões em outras partes do corpo”, destaca o laudo.
Tipos de trauma cranioencefálico em animais
Os efeitos do trauma cranioencefálico são classificados como primários e secundários:
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Primários: ocorrem no momento da agressão, como fraturas, contusões cerebrais e lacerações.
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Secundários: surgem de forma tardia, minutos ou dias após o trauma, incluindo edema cerebral, inflamação e aumento da pressão intracraniana.
O surgimento desses efeitos depende de diversos fatores, como:
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Resposta individual do animal
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Tipo de instrumento utilizado
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Intensidade e velocidade do impacto
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Idade do animal
Perícia considera possível agravamento progressivo do quadro
Segundo os peritos, é plenamente plausível que o cão tenha sofrido um trauma contundente na cabeça em um dia e apresentado agravamento clínico progressivo, evoluindo para a morte no dia seguinte.
“É plenamente plausível que o animal tenha sofrido um trauma contundente em cabeça em um dia e piorado clinicamente de forma progressiva até o outro”, conclui o laudo pericial.