Uma imagem divulgada pela Nasa mostra a iluminação das primeiras horas da manhã em Marte, com formações rochosas moldadas pelo vento e tonalidades azuladas próximas ao solo. O registro foi feito pelo robô explorador Curiosity durante sua missão no Monte Sharp, localizado na cratera Gale.
A fotografia foi capturada em 11 de agosto de 2026, por volta das 8h30 no horário local marciano. O panorama reúne seis imagens feitas pela câmera Mastcam, posteriormente combinadas após o envio dos dados à Terra.
Um dos aspectos que tornam a imagem especial é a preservação das cores originais associadas à luz do amanhecer. Diferentemente do procedimento habitual em muitas fotografias do equipamento, o registro não recebeu o tradicional ajuste de balanço de branco, permitindo observar melhor as tonalidades da iluminação matinal.
Por que o céu de Marte tem cores diferentes?
A aparência do céu marciano está relacionada à atmosfera do planeta, que é muito mais fina que a terrestre, composta principalmente por dióxido de carbono, além de partículas de poeira. Essas características interferem na maneira como a luz solar se espalha.
Durante o dia, o céu de Marte costuma apresentar tons amarelados, alaranjados ou avermelhados. Já nas proximidades do Sol, durante o nascer e o pôr do sol, podem surgir tonalidades azuladas, azul-acinzentadas e até violetas.
Outro fator é a distância do planeta em relação ao Sol. Marte está, em média, a cerca de 228 milhões de quilômetros da estrela, enquanto a distância média da Terra é de aproximadamente 150 milhões de quilômetros. Por isso, a luz solar que chega à superfície marciana é menos intensa, e o Sol aparenta ter cerca de dois terços do tamanho observado no céu terrestre.
Formações rochosas despertam interesse científico
O registro também destaca estruturas conhecidas como yardangs, formações alongadas esculpidas pela ação do vento durante longos períodos. Os paredões observados se estendem por aproximadamente 16 quilômetros na região noroeste do Monte Sharp.
Segundo Ashwin Vasavada, cientista responsável pelo projeto Curiosity no Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, a camada rochosa apresenta características incomuns, como coloração diferente, posição aparentemente deslocada em relação ao restante da montanha e inclinação peculiar.
Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores é que o material tenha se originado de cinzas de antigas erupções vulcânicas. Posteriormente transformadas em rocha, essas camadas teriam sido esculpidas pelo vento ao longo de bilhões de anos.
O Monte Sharp é importante para a pesquisa porque suas diferentes camadas geológicas ajudam a reconstruir a história de Marte. Análises realizadas pelo Curiosity já identificaram evidências de períodos em que a região abrigava lagos e cursos de água.
Missão pode investigar as formações em 2027
Um dia em Marte dura aproximadamente 24 horas e 39 minutos, cerca de 39 minutos a mais que na Terra. O horário do nascer do Sol varia conforme a localização e a estação do ano no planeta.
O Curiosity chegou a Marte em agosto de 2012 e começou a subir o Monte Sharp em 2014. A previsão da Nasa é que o veículo alcance a base das formações rochosas em 2027, quando poderá examinar diretamente o material com seus instrumentos científicos e braço robótico.
Além do valor visual, registros do amanhecer e do crepúsculo ajudam os cientistas a estudar a passagem da luz pela atmosfera marciana, contribuindo para compreender a distribuição de poeira e de possíveis partículas de gelo em diferentes altitudes.