A corrupção, de qualquer maneira, está tão disseminada em nosso cotidiano que virou uma instituição cultural, já parece ser algo “normal”. Nossa sociedade aprendeu a conviver com essa anomalia, mas não sem a tensão e a revolta dos mais esclarecidos. Dizer que a corrupção é uma cultura entre nós pode chocar algumas pessoas, que de pronto acham que estamos tratando de desvio de caráter. Pois bem, naturalmente, o caráter é algo a se levar em consideração, pois a cobiça do ganho fácil é algo humano e aqueles que têm uma educação mais frouxa jamais hesitarão em prevaricar se as condições lhes forem favoráveis. Não estou aqui para acusar ninguém, mas, infelizmente, tudo indica que os pais do pequeno Jonatas Openkoski pisaram na bola, e pisaram feio! Tudo isso começa em 2017 quando famosos e anônimos se mobilizaram para ajudar o garoto de Joinville, que é portador de atrofia muscular espinhal (AME) tipo 1 - o mais grave. Em pouco mais de dois meses, foram arrecadados cerca de R$ 4 milhões, mais que os R$ 3 milhões pretendidos inicialmente para importação do remédio Spinraza (que só há poucos meses está disponível no Brasil). Tudo estava muito bem, até que os pais teriam (e digo teriam, pois até que se prove o contrário todos são inocentes) pisado na bola. Mudanças nos hábitos de consumo dos pais do garoto – Renato e Aline Openkoski, moradores de Joinville – motivaram investigação policial e bloqueio de contas bancárias do casal. O pai de Jonatas afirma que todo o dinheiro gasto até agora tem como finalidade o bem-estar do garoto – a mudança para uma casa maior em uma área nobre de Joinville e a aquisição de um carro avaliado em cerca de R$ 140 mil, por exemplo, atendem à necessidade de espaço do menino, explica. Mas então cidadão, como explicar a viagem que você e sua mulher fizeram no fim do ano para Fernando de Noronha, um dos destinos mais caros do Brasil? Logo no fim do ano, onde deveriam passar as festas com o filho que tanto luta pela vida, estranho não? Pois é, isso já tinha complicado a vida do casal, mas, uma operação desencadeada durante essa semana na casa dos dois colocou a credibilidade delas ainda mais em dúvida. A operação realizada no início da manhã de quinta-feira (1º) na casa da família mostrou uma realidade sabida, porém escondida. Algo não estava certo com os gastos! Diversos óculos de sol, joias, relógios, celular de última geração, helicóptero de controle remoto e até um televisor gigante avaliado em mais de R$ 6 mil. E então, como explicam isso? Doação? Comprado para o menino assistir os desenhos com melhor qualidade? Ou picaretagem? Meu sexto sentido me leva para o último item! Se for comprovado que todo esse material foi comprado com o dinheiro da campanha, o mínimo que se espera é a obrigação na justiça dos dois devolverem esse dinheiro a quem o doou! E mais, é inaceitável que ambos tenham condições de chegar próximos desse montante, a partir de agora só quem libera o dinheiro é a Justiça e diretamente para o custeio do tratamento. Não só prejudicaram o filho, como também outras crianças que venham a ter esse problema e não serão ajudadas tão facilmente por medo dos possíveis contribuintes. A Justiça deve ter punho firme nas decisões para o bem do Jonatas, que de nada tem culpa, e para a justiça para com os doadores. Inaceitável! Tentei dar a palavra ao pai do menino, mas ele não me respondeu. Costumo dizer que quem não deve não teme, então por que sempre fugir da imprensa? Eu espero que as máscaras caiam e que os culpados sejam apontados. Isso não é brincadeira, se comprovado for, é crime e merece cadeia.