A mobilização das associações empresariais do Vale do Itapocu para ampliar a representatividade política da região nas eleições deste ano merece atenção. Mais do que defender nomes ou siglas, o movimento coloca em debate uma questão antiga e relevante: a necessidade de eleger representantes que conheçam de perto os desafios, as potencialidades e as prioridades dos municípios que formam uma das regiões mais produtivas de Santa Catarina.
Jaraguá do Sul, Guaramirim, Corupá, Massaranduba e Schroeder possuem demandas comuns em áreas como infraestrutura, mobilidade, saúde, educação e desenvolvimento econômico. Ter parlamentares e lideranças políticas comprometidos com essas pautas pode significar maior capacidade de articulação por recursos, obras, emendas e políticas públicas. Representatividade, nesse sentido, não deve ser entendida apenas como uma questão geográfica, mas como proximidade, conhecimento e compromisso.
A campanha também acerta ao chamar a atenção para os chamados candidatos “paraquedistas”, que muitas vezes surgem em períodos eleitorais em busca de votos, mas mantêm pouca ou nenhuma relação com a comunidade depois das urnas. O eleitor precisa avaliar não apenas as promessas feitas durante a campanha, mas o histórico, a presença regional e a disposição de prestar contas ao longo do mandato.
Outro ponto positivo é a preocupação com educação política, combate às fake news e conteúdos produzidos por inteligência artificial. Em um ambiente eleitoral cada vez mais contaminado pela desinformação, estimular a análise crítica é também fortalecer a democracia.
Os Diálogos Institucionais podem contribuir para esse processo ao colocar candidatos diante das prioridades da região e registrar compromissos que possam ser cobrados futuramente. O movimento afirma ser apartidário, como deve ser. A escolha continuará pertencendo exclusivamente ao eleitor.
Valorizar o voto regional não significa fechar os olhos para boas propostas de fora, mas reconhecer que uma região forte economicamente também precisa transformar essa força em presença política. O Vale do Itapocu tem peso. O desafio agora é fazer com que esse peso também seja percebido nas decisões que moldam o futuro de Santa Catarina.