Verdades e mitos sobre o uso de anticoncepcional

foto: divulgação

Por: Rafael Veloso - Ginecologista e Obstetra

20/03/2015 - 15:03 - Atualizada em: 20/03/2024 - 16:20

 

O uso de contraceptivo via oral é um dos métodos mais comuns utilizado por mulheres que desejam evitar a gravidez. Com diferentes fórmulas que visam atender a necessidades específica de cada mulher, eles apresentam também diferentes sintomas para quem faz o uso.

Um dos sintomas mais comuns é o enjoo ou náusea, causado pela progesterona, hormônio presente na pílula. Este hormônio que causa o relaxamento do corpo, apresenta também como reação é enjoo. Destaca-se que embora eles ocorram, somente o uso por um determinado período que dirá se a troca é necessária em função dos sintomas, ou se eles cessarão.

Uma dúvida bastante comum, é se eles de fato engordam, ou não? Para esta dúvida, a resposta é não, com algumas considerações. Trabalhos científicos que permitiram o monitoramento do peso em mulheres que usam contraceptivos dizem que, o máximo em ganho de peso por conta do uso da pílula chega a 500g.

Entretanto, por se tratar de um hormônio, ele pode contribuir para pequenas escolhas que mudam os hábitos alimentares, daí as chances de uma mulher escolher o carboidrato ao invés da proteína, que favorecem o ganho de peso. No entanto, o uso não está diretamente relacionado com o aumento de peso, caso a paciente não mude os hábitos, ingerindo as mesmas porções diárias.

Além da relação com os hábitos alimentares, fatores como a distensão abdominal ou inchaço causado pela pílula, pode contribuir para a impressão do aumento de peso, porém, se monitorado o peso na balança será constatado que ele não é real.

Já a relação do libido feminino com o uso do contraceptivo carece de informações adequadas as pacientes. Como a absorção e metabolização dos hormônios da pílula é realizada em partes pelo fígado, pelos receptores dos ovários e também pelo cérebro, destaca-se aqui o papel do fígado neste processo.

Ao identificar quantias excedente de hormônios sendo ingerido, o fígado trabalha para controlar estes níveis por meio de uma proteína, a (SHBG), seu papel é inativar os hormônios circulantes na corrente sanguínea, quando eles se encontram em excesso.

Este controle feito pelo (SHBG) tende a grudar em uma quantidade alta de hormônios masculinos presentes no corpo da mulher, como: testosterona, androstenediona, di-hidrotestosterona, que são alguns dos hormônios androgênicos responsáveis pela libido, ou desejo sexual. Este controle feito pela (SHBG), além de ser prejudicial a libido da mulher, está presente na maioria dos anticoncepcionais.

Outra dúvida bastante comum, é se a mulher demora para engravidar pelo uso da pílula por um longo período. Geralmente não, vai depender de qual contraceptivo foi usado. O tempo médio para engravidar após encerrar o uso é de 3 a 6 meses.

A tabela a seguir mostra alguns exemplo de contraceptivos mais comuns utilizados e o tempo médio de segurança após a suspenção do uso:

Orais – 3 a 6 meses
DIU Mirena (contraceptivo intrauterino) – uma vez retirado, as chances de gravidez são imediatas
DIU de cobre (método não hormonal) uma vez retirado, as chances de gravidez são imediatas
Injetáveis (períodos um pouco mais longos pela tolerância que excede os três meses, levando em conta o tempo de uso)

Sobre outras consequencias do uso do anticoncepcionais, estudos realizados apontam que a pílula contraceptiva está associada ao desenvolvimento do câncer. Por outro lado, embora a correlação exista com alguns tipos de contraceptivos que apresentam a molécula de progesterona, destaca-se que, somente a pílula não é capaz de gerar câncer.

Como o câncer é uma doença multifatorial, ele está associado a outras questões como: histórico familiar da paciente, hábitos de vida, fatores de risco, radiações, uso de medicamentos, entre outros fatores.

Já para as mulheres que amamentam, é indicado não usar pílulas combinadas, ou seja, as que contém estrogênio, hormônio que estimula o retorno da ovulação. Este hormônio estimula a queda da prolactina, e, consequentemente, a diminuição da produção do leite materno. Para estas pacientes é indicado usar as pílulas com hormônios progestagênicos. Além destas, a mulher pode optar ainda pelos métodos não hormonais.

Por fim, destaca-se que, se o objetivo é evitar uma gravidez indesejada, uma adolescente pode fazer o uso do contraceptivo desde a sua primeira menstruação, entretanto, a escolha não a inibe de problemas como as doenças sexualmente transmissíveis. É preciso orientação adequada aos jovens e adolescentes, em especial, aos que podem estar iniciando a vida sexual.