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Verdade pode ser veneno

Por: Luiz Carlos Prates

04/08/2026 - 07:08

Todos nascemos armados, armados para nossa defesa ou nosso ataque. Essa arma é a capacidade de falar, de dizer o que pensamos, mentiras ou verdades. Incontestável é a frase psicanalítica: – “Fala, se queres que te conheça”! Nossa fala, nosso conteúdo de fala, pode ser tanto um bote salva-vidas quanto uma explosão de dinamite. Tudo depende do momento e do que dizemos. Muito comum uma pessoa estar num hospital e com as horas contadas, vai morrer em pouco tempo. Tudo corretamente diagnosticado… Sim, e daí? Os médicos vão dizer essa verdade para o paciente? Muito comum. Mas não se deve fazer isso sob qualquer hipótese, é coisa típica de pessoas insensíveis e ignorantes sobre o “renascimento” de incontáveis pacientes que foram mandados para morrer em casa e não morreram. Essa verdade me faz lembrar do livro – “Amor, Medicina e Milagres”, escrito pelo médico americano Bernie Siegel, vivíssimo, com 93 anos. Ele conta muitas histórias desse tipo. Uma verdade que não ajude a pessoa ao ouvi-la não deve ser dita. E o que dizer das relações nos casamentos? Quantos e quantos idiotas abrem a boca para ofender a mulher, dizendo invenções da parte deles? Ou mesmo que seja verdade, falar de modo prudente, pensado e oportuno produz, não raro, verdadeiros milagres. Um modo sábio de passar recados sobre comportamentos errados é falar desses erros sobre outras pessoas, pessoas inventadas, mas de sorte que a mensagem seja ouvia por quem precisa ouvi-la. À propósito, falando disso, também lembro de uma frase de Albert Camus, franco-argelino, (1913/1960), que nos deixou esta mensagem: – “Onde não há esperança, cabe a nós inventá-la”. Tirar as esperanças de alguém é como dar um tiro na pessoa, mata-se ou fere-se gravemente suas ideias e esperanças. Diante do bem não podemos vacilar. Diante do mal, de um pensamento destrutivo, descansar as armas… Nossos medos e covardias não devem ser passados para os outros. Críticas polidas fazem bem, mas nunca esquecer que as palavras usadas nas frases e o tom de voz podem mudar um elogio para uma crítica inesquecível. Em muitas empresas, ainda hoje, o que mais reprova candidatos a emprego é a entrevista “oral”. Mais das vezes na vida, a riqueza vem da boca fechada.

HIPOCRISIA

Bandidos não têm defesa, não podem ter. Frequentemente, mulheres espancadas por seus companheiros costumam dizer ao delegado que o companheiro só fica violento quando bebe. E se o machinho beber todos os dias? Ademais, a grande verdade: nenhuma droga altera o caráter da pessoa, pelo contrário, reforça. As drogas reforçam três características humanas: bêbada, a pessoa ou fica bem-humorada ou fica violenta ou se apaga no sono. Tudo o mais é cretinice inventada por gente ignorante. Drogou-se para a violência? Ferro, ferro na salinha dos fundos…

DROGAS

Uma pessoa com bons conteúdos na cabeça, pessoa orientada na vida pela bússola da boa ética, uma pessoa assim nunca vai fazer uso de drogas. Só consomem drogas os inseguros, os vazios existenciais, os frouxos do bom combate. Sem discussão. Quem se olha no espelho da vida e se vê bem, não precisa de artifícios para enganar, antes de tudo a si mesmo. E sem essa, de beber ou drogar-se só para relaxar, frouxos.

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FALTA DIZER

Nos períodos pré-eleitorais assume o “poder” a mentira. Quem mentir melhor, quem for mais teatral tem mais chances. E pelas promessas que andamos ouvindo, vão acabar a pobreza, as desigualdades sociais, o descaso na saúde pública, a debochada desatenção ao ensino público e tudo o mais… É só esperar. Esperar… sentado!

 

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Luiz Carlos Prates

Jornalista e psicólogo, palestrante há mais de 30 anos. Opina sobre assuntos polêmicos.