Uma nação quase imaginária

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Por: OCP News Jaraguá do Sul

sexta-feira, 04:00 - 02/09/2016

OCP News Jaraguá do Sul
Continuaremos a não importar nenhum tipo de goma de mascar”, diz um membro do governo de Cingapura num jornal local. Ele termina com o boato que Cingapura poderia vir a importar goma de mascar. Cingapura é o lugar onde a sua população adora se intitular como sendo a Suíça do Sudeste da Ásia. É uma pequena ilha entre a Malásia e a Indonésia, onde a renda per capita dos seus 3,7 milhões de habitantes supera a muitos países ricos da Europa. Lá, 95% das moradias são próprias e as taxas de impostos são relativamente baixas. Considerada uma nação livre de corrupção e taxa de desemprego abaixo dos 3%, nunca vi em minha vida calçadas tão limpas quanto as de Cingapura. Ao andar de bicicleta, mesmo pelas ruas mais movimentadas, parece que pedalo por um parque. Algo errando no ar? As coisas funcionam tão certinho. O silêncio parece uma marca desse país. A buzina dos carros é para caso de extrema necessidade. As conversas por mais animadas que sejam, acontecem num tom bem abaixo que estou acostumado no Brasil. O primeiro contato com a ilha é impactante: no cartão de imigração, em letras vermelhas e maiúsculas: “tráfico de drogas é considerado pena de morte”.
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Mas como uma pequena ilha, sem qualquer recurso natural (ate a água que a população consome vem da Malásia via dutos) pode se transformar numa “potência”?  O governo atraiu investimentos estrangeiros na área de comunicação e transportes de infraestrutura para os países de toda a Ásia. O país hoje é uma base de negócios internacionais - um entreposto. E oficializou o idioma inglês. Nesse mix vendendo serviços, se inspirou também, imitando países como Rússia e China - limitou a liberdade de expressão de seu povo. Cuspir na calçada, não puxar a descarga num banheiro público, em Cingapura, são exemplos de crimes. O infrator tem que prestar trabalhos voluntários e seu nome aparece nas páginas policiais do jornal. Não se vê policiais pelas ruas. Porém, nota-se que existe nas pessoas certo ar de: “a polícia está dentro de nossas cabeças”. Todo mundo se parece bem-vestido. As mulheres sempre bem maquiadas. Parece que há certa fiscalização entre eles quanto à camisa fora da calça e cabelos bem penteados. Muitos vão até chamar: a nação dos nerds. Trânsito também não existe, mas quem precisa de poluição, pobreza e caos urbano?
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