Um elefante branco que cabe no bolso

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Por: OCP News Jaraguá do Sul

sábado, 04:00 - 03/09/2016

OCP News Jaraguá do Sul
Bem, antes do texto em si, a origem da expressão: Elefante Branco. No livro “O bode expiatório”, o pesquisador e professor Ari Riboldi faz uma coletânea de A a Z com expressões que utilizam nomes de animais, tipo Vacas Magras, Espírito de Porco e... Elefante Branco. Segundo este livro, a expressão surgiu no reino de Sião, hoje, Tailândia, onde elefantes brancos eram raríssimos (não que aqui eles sejam comuns, mas lá, me parece que eram mais raros ainda) e, além disso, considerados animais sagrados. Sendo assim, quando um desses animais era encontrado, ele deveria ser levado ao rei da época. Acontece que o rei, muito do sacana, tinha como costume presentear seus desafetos com estes animais. O infeliz presenteado deveria se sentir honrado e teria que cuidar do animal enquanto vivesse, dedicando ao novo “pet” toda atenção e cuidados, sem poder se desfazer do dito animal. Assim, quem caísse nas graças do “desgraça real”, estava condenado a viver com um elefante branco no jardim... ou fazenda... ou onde quer que fosse. Um elefante, dependendo da espécie, tem um tempo de vida entre 50 e 70 anos. Sacanagem Real. Com o oba-oba das conquistas de reinos, rotas de comércio, povos capturados, migração e misturas de costumes, essa coisa toda que já conhecemos, e que o pessoal da abertura das Olímpiadas ilustrou (em parte), o termo chegou aqui e usamos até hoje, inclusive, nesta crônica, para ilustrar um elefante branco que nos cabe no bolso, mais especificamente dentro de nosso celular: os grupos de Whatsapp. De repente, sem aviso prévio, você recebe uma notificação: Fulano te adicionou no grupo “Casais do Clube do Vinho”. Logo depois... Plim! “Bom diaaaa!”. E aí: plim, plim, plim, plim (82 vezes plim) bom dia, bom dia, bom dia, “que você tenha um dia iluminado”, gif, gif, gif, vídeo, JPG de flores e estrelinhas... Foto de mulher pelada, seguida de um: “ops! Grupo errado!”. E começa uma discussão pública entre o cara que enviou e a sua esposa, que também está no grupo. Faz cinco minutos que você é “oficialmente” do Grupo Casais do Clube do Vinho e contabiliza 300 mensagens não lidas, a memória do celular entupida com gifs, vídeos e JPGs, 3G/4G esgotado e um baita dilema: Como vou sair desse grupo? Se o sujeito simplesmente sai, torna-se uma afronta! “Como assim, o Zé saiu do grupo? Tá se achando? É bom demais pro nosso grupo? Não se mistura mais?”. Tem que inventar uma boa desculpa, mandar recado pedindo perdão pelo ato e, só depois de ouvir alguns comentários contrários, saltar de banda. Há quem tente criar grupos com boas intenções e vem com aquela: “Esse grupo é só para falar sobre a despoluição do Rio Itapocu, não vamos ficar mandando coisas sem relação com o assunto.” Mas, logo depois: “Fora, Temer”, “Tchau, Querida”, “Globo Golpista”, “o Sul é meu País”, “Tenha um dia iluminado” (o mesmo gif que você recebeu no outro grupo)... E o grupo foi poluído e o Rio fica na mesma... Então, quando você precisa dar algum recado para os integrantes do grupo, de qualquer grupo, tem que fazer pessoa a pessoa (lista de transmissão), pois nenhum deles presta atenção no que é dito no grupo: “Ah, eu silencio todos os grupos”, “Ah, eu nem abro. No final do dia vou em ‘Apagar a Conversa’ e faço uma limpeza...” E assim temos mais uma ferramenta para parecer chatos com as pessoas que gostamos. Seja por não responder, por não aguentar o que recebemos, seja por desejar bom dia demais.
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