Não há dúvida! Cachorro é um bichinho esperto. Esperto, inclusive, a ponto de saber diferenciar um estranho olhando pela janela ou uma pessoa na televisão. Hoje, enquanto via um filme, meu cachorro, o Steban, dormia no meu colo, sem dar atenção alguma para a TV. Isso me intrigou, fiquei pensando: “Como esse carinha sabe diferenciar uma pessoa na televisão ou perto do portão?” O Steban, para você entender, é um ótimo cão de guarda. Isso se o ladrão não olhar para ele. Por que, ele é algo tipo o Tadeu Mello (Turma do Didi) com a voz do Sérgio Loroza. Um baixinho com vozeirão. Assusta até que olhem para ele. Ele é um Lata-Apso, ou um Lhasa-Poodle, ou um QualquerCoisa-Apso. Resumindo, ele é da raça OPetShopMeEnganou-Apso. O fato é que essa coisa de “onde avança, onde não avança” me intrigou. Digo isso por ser, nove em cada dez vezes, alvo dos cachorrinhos. Esses dias, estávamos correndo na rua, num grupo de umas cinquenta pessoas. Quem você acha que levou a investida do cachorro? Pois é. Noutro domingo, dia lindo de sol, cedinho, Pedal da Mari, trezentos ciclistas, todos pedalando felizes, os motoristas xingando a gente por parar o trânsito (aliás, quando passo com uma turma assim volumosa, de bicicleta, e olho a expressão de “alegria” dos motoristas que ficam parados, esperando o comboio passar, me sinto um vagão da ALL atravessando Jaraguá, sendo fuzilado com os olhos), continuando, pessoas nas calçadas e quintais assistindo-nos, abanando e tirando foto e, claro, do nada, ouço aquele: béu, béu, béu. Poxa, sério? Em trezentos? Trezentos! Logo eu? Justo eu? Não é que tenho medo de cachorro. Eles que não gostam de mim. Em qualquer lugar que vou é assim. Na casa de alguém, por exemplo: todo mundo cumprimenta e entra. Quando é a minha vez, lá vem o Rex, o Lulu, o Totó. Me encara, fica parado nas minhas pernas. O anfitrião (sempre, todos eles): “Não precisa ter medo, ele só quer cheirar.” Ele não quer só cheirar. Ele quer o momento certo de abocanhar o lugar certo. Eu sei. Ele sabe. Pior ainda quando vem com piadinha: “Ele não morde. Só quando está com fome. Mas, hoje ele ainda não comeu. Rárá” ou “Ele só morde se mostrar medo.” Meu amigo, se o cachorro é teu e eu estou mostrando medo, tira o Cérbero de perto de mim, poxa. Isso me fez lembrar de um pinscher que havia perto de onde eu morava. O Bubor. Amigos, o Bubor era o Chucky, o brinquedo assassino, dos cachorros. Ele queria morder todo mundo. Entreva na casa das pessoas. Quando fechavam as portas, ele entrava pela janela. Era endemoniado mesmo, juro. Mas, toda essa história é para dizer que tomei uma decisão. Tive uma brilhante ideia. A partir de agora, quando tiver corrida ou pedalada, se vocês virem um cara vestido de televisão, sou eu. Já que cachorro não ataca a TV, será este o meu disfarce. Se um dia eu for na São Silvestre, quando a Globo dar a aérea, vai estar lá o Fofão, o Capitão América, o Palhaço (e toda a Carreta Furacão) e, logo depois, um cara vestido de TV. Abana, que sou eu. E segurem seus cachorros.