Tá no papo – Luiz Carlos Prates

Foto Divulgação

Por: Luiz Carlos Prates

14/06/2023 - 06:06

Esse título me deixa “modernoso”; ora, onde já se viu dizer tá no papo? Não há nada de modernoso nessa expressão, cresci ouvindo pessoas dizer isso, e a dizer em duas situações: ou por um jogo de antemão fácil no futebol ou pela conquista de uma mulher. Não faltava quem dissesse, – “Ah, essa tá no papo”! Dizia-se no passado. No passado? Os humanos continuam iguais e chego mesmo a dizer que estão piores. O que “ontem” causava vergonha hoje é rotina. Casamentos desfeitos, por exemplo. Um desquitado, uma desquitada, como eram chamados os hoje divorciados, eram vistos pelas frestas das janelas. Pessoas que eram, hipocritamente, vistas como erradas… E era aqui que eu queria chegar, leitora. Acabei de ler reportagem sobre “requalificações” no mercado de trabalho. Um presidente de uma das nossas grandes empresas dizendo que o mercado atual exige mais e mais requalificações e atualizações em profundidade para que alguém tenha sucesso no mercado empregador. Indispensável, mas… Nada é exigido para que alguém case, por exemplo. Um ordinário qualquer e uma leviana de qualquer tipo se “apaixonam” e podem casar sem qualquer prévia “avaliação”, sem qualquer banca examinadora. Dá nisso que anda por aí. Uma das coisas que mais me irritam, irritam mesmo, é ler sobre separações de casais de “muito tempo”, pessoas casadas há 15, 20 ou mais anos. Por que só agora? Será que só agora ele ou ela mostrou as garras? – “Ah, Prates, a rotina cansa, ninguém é de ferro para aguentar um casamento sem emoções pela vida toda”…! E será que alguém precisa de anos e anos para descobrir que ele ou ela não valia a pena? É aqui que entra o “tá no papo”. Vale para o trabalho, o sujeito está há

alguns anos naquela empresa e se acomoda, inconscientemente diz a si mesmo: Tá no papo! Não está. E no casamento, será que depois de alguns “meses” as cortesias continuam ou fica a ideia de tá no papo? É isso o que derruba gente de todo tipo, e de modo especial, graças a Deus, muitos políticos, os que um dia pensaram que “tava no papo”. Requalificações constantes no trabalho, cortesias e romances nos casamentos se não garantem “tá no papo”, garantem mais estabilidade e mais amor.

DINHEIRO

De dinheiro precisamos “só” o de que precisamos para uma vida mais ou menos tranquila, fora disso é correr atrás do vento. Todos os dias chega notícia da morte de um famoso, pessoa cheia de dinheiro, caras que podiam ter comprado o hospital, mas… Não resistiram às suas patologias. De outro lado, gente humilde, bem pobre, mas com cabeças tranquilas, vivem longamente. A vida é sábia, “premia” os equilibrados, os que não querem muito…

VIDROS

Manchete e fotos do Estadão: – “Mulher anda sobre cacos de vidro em dinâmica com empresários”. É uma promoção de alguns empresários paulistas que se meteram com questões de fé, garantindo que a fé evita sofrimentos como o possível caminhar sobre cacos de vidro. Pois eu desafio esses caras. Eu escolho os cacos de vidro e eles vão caminhar sobre esses cacos. “Eles”, eu disse. Aceitem, topetudos, aceitem, se forem machos e provem de sua fé. Aceitem!

FALTA DIZER

E dizer que há pessoas com “garantias” de que podem usar e viver esses vícios. Falo de pessoas que, fora de UTIs, fora de momentos extremos, vivem consumindo remédios de tarja preta. Sem falar nos milhões que vivem “anestesiados” por tranquilizantes. Um horror, uma ignorância de finais tétricos. E quem lhes deu a “receita”? Responsabilidade!

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Luiz Carlos Prates

Jornalista e psicólogo, palestrante há mais de 30 anos. Opina sobre assuntos polêmicos.