Há uma conta da política brasileira que merece ser lembrada: em uma eleição para o Senado, o tamanho do eleitorado muda completamente a escala da disputa. E isso produz situações que, olhando de fora, parecem quase absurdas.
Davi Alcolumbre foi eleito senador pelo Amapá em 2022 com cerca de 196 mil votos. Em Santa Catarina, uma votação praticamente igual elegeu Ana Campagnolo (196.571) para a Assembleia Legislativa. A diferença é que ela disputava uma cadeira de deputada estadual, enquanto Alcolumbre conquistava uma vaga no Senado.
O contraste fica ainda maior quando se olha para São Paulo. Marcos Pontes recebeu mais de 10,7 milhões de votos na disputa pelo Senado em 2022. É uma votação dezenas de vezes superior àquela que levou Alcolumbre ao Senado. Ainda assim, Pontes ocupa uma cadeira entre os 81 senadores, enquanto Alcolumbre chegou, inclusive, à presidência da Casa, eleito em 2025 por 73 dos 81 senadores.
O problema da representatividade
Não é uma questão de culpar o Amapá. É uma característica do modelo federativo brasileiro. No Senado, cada estado tem três representantes, independentemente da população. Na Câmara, a proporcionalidade também tem limites: Santa Catarina elege 16 deputados federais, enquanto Amapá elege oito.
E aqui aparece o problema para o Sul. Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul têm população, produção, arrecadação e economia muito maiores que vários estados, mas não conseguem transformar esse peso econômico em força política proporcional.
É por isso que, em Brasília, o Sul frequentemente precisa negociar com bancadas muito maiores ou com estados que, embora tenham menos população, possuem o mesmo número de senadores. E isso pesa na escolha das mesas diretoras e na capacidade de construir maiorias.
Qual seria a saída? Uma discussão possível seria rever os critérios de distribuição das cadeiras da Câmara e Senado e discutir mecanismos que aproximem a representação parlamentar da população, sem eliminar a função federativa do Senado. Não é uma solução simples, porque qualquer mudança mexe no equilíbrio entre estados.
Curtas
Jorginho defende continuidade
Na última quarta-feira, Jorginho Mello participou da segunda rodada dos Diálogos Institucionais com entidades empresariais do Vale do Itapocu. No CEJAS, em Jaraguá do Sul, o governador defendeu os resultados da gestão e pregou a continuidade. Agora, cabe ao setor produtivo avaliar se as ações e propostas apresentadas respondem às demandas da região.