O canto folclórico mongol surpreende e impressiona a quem o escuta pela primeira vez. Original, exótico, permite ao ouvinte se transportar para as estepes ancestrais da Ásia Central. O som gutunal dos cantores, geralmente acompanhados do secular marin whoor, instrumento de corda tradicional, de duas cordas, utilizado pelos grupos étnicos da Mongólia. Solenes, suas melodias lembram mantras. Os cantores e instrumentistas descendentes de Genghis Khan criam músicas com melodias suaves, que expressam profundo sentimento, a coragem e vigor desse povo nômade de origem guerreira. Lembro da primeira vez que acessei as músicas da Mongólia, ao acaso, quando procurava mantras de meditação e relaxamento. Fiquei maravilhada. Para quem quer se distanciar do lugar-comum, vale conferir. Porém, em tempos de música eletrônica e massificada, é preciso abrir a mente... Essa semana voltei a sentir vontade de ouvir músicas de origem ancestral mongol enquanto escrevia, e o tema se sobrepôs à minha ideia original de texto. Daí o porquê dessa crônica sobre uma nação tão distante do continente americano, justamente em um momento tão delicado do nosso país verde-amarelo, de tanta perplexidade e desencanto... As raízes dos mongóis são tão fortes que até hoje estão presentes na vida dos cidadãos daquele longínquo país asiático, que costuma atrair visitantes de todo o planeta, especialmente durante as festividades do Naadam, as “Olimpíadas das Estepes”, no mês de julho, em Ulaanbaatar, com as competições de arco e flecha, e as corridas de cavalos pelas planícies, que podem alcançar 25 quilômetros de extensão. Isso sem esquecer as lutas livres pelas planícies. Nesse evento festivo, é possível ver homens e mulheres elegantemente trajados, em cores vivas e brilhantes, com destaque para o vermelho e dourado. Um detalhe interessante é que um terço da população mongol, que gira em torno de um milhão de habitantes, ainda vive no campo, em acampamentos, nas tendas redondas chamadas de “ger”. A maior parte do território mongol é de planaltos, com cadeias montanhosas ao norte e oeste, com verões de temperaturas amenas e rigorosos e longos invernos. Sobre a religiosidade, o Budismo é predominante, com 89% de adeptos, seguido do Catolicismo, 9%, e cerca de 1% de ateus, ou não praticantes de nenhuma religião. Um dos locais mais procurados pelos visitantes é o monastério Khamariin, no deserto de Gobi, assim como o monastério Amarbayasgalant, ao norte. Com todas essas características, não é de estranhar que a Mongólia atraia um número crescente de turistas a cada ano. Considerando os testemunhos dos que já estiveram por lá, é uma viagem inesquecível!