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Senado e Governo: uma via de mão dupla em SC!

Por: Claudio Prisco Paraíso

22/08/2026 - 06:08

Estamos completando a primeira semana da campanha eleitoral e nos preparando para entrar na segunda. O que esses primeiros sete dias revelaram aqui em Santa Catarina? Antes de tudo, a confirmação de que as eleições ao governo e ao Senado sempre estão entrelaçadas, especialmente quando a renovação é de dois terços das cadeiras, como é o caso de 2026. Não é coincidência. É a natureza da política brasileira.

Senado é o destino natural

A razão é simples. O Senado é a casa dos estados. A representação por unidade federada é a mesma para todos: três senadores para cada um dos 26 estados e o Distrito Federal, independentemente do tamanho do eleitorado. E normalmente quem é governador segue para o Senado. É o caminho natural, o passo seguinte na carreira de quem governou.

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As duas exceções catarinenses

Em Santa Catarina, tivemos apenas dois casos de governadores que não chegaram ao Senado. O primeiro foi Ivo Silveira, em 1974, quando perdeu para Evelásio Vieira, o Lazinho, ex-prefeito de Blumenau, por cerca de 60 mil votos. Foi quando eclodiu a primeira grande onda MDBista no Brasil, tanto que em 1978 o governo Geisel enfiou um senador biônico para reduzir o avanço do MDB contra a Arena. O segundo foi Colombo Machado Salles, que em 1986 concorreu entre vários candidatos e ficou pelo caminho. Fora esses dois casos, ex-governadores viram senadores com naturalidade.

Troca-troca

E a relação não é de mão única. Raimundo Colombo foi senador antes de ser governador. Depois de passar pelo governo, tentou duas vezes voltar ao Senado e bateu na trave. A trajetória política em Santa Catarina mostra que quem chega ao Senado caminha para o governo, e quem governa caminha para o Senado. É uma via de mão dupla consolidada pela história.

Na mira de 2030

E é por isso que as eleições de 2026 têm um peso que vai além de outubro. Com Jorginho Mello reconduzido, quem se eleger senador agora passa naturalmente a ser nome cotado para o governo em 2030. Com exceção de Esperidião Amin, candidato à reeleição ao Senado, que completará 79 anos em dezembro.

Futuro em aberto

Carol De Toni poderia sim disputar o governo em 2030. Assim como Antídio Lunelli e Décio Lima. São nomes que, uma vez eleitos senadores, entram automaticamente no radar da sucessão estadual. A eleição de hoje planta a semente do que vem daqui a quatro anos.

E Carluxo?

Carlos Bolsonaro é a incógnita. Veio para Santa Catarina com um objetivo claro: ser senador, combater o bom combate no Senado em nome do pai preso, pressionar o Supremo e propor impeachment contra ministros que hoje não têm freio. Concorrer ao governo em 2030? Particularmente, não acredito. Mas de qualquer forma, não dá para depositar fé pública em integrante de uma família que, convenhamos, mais parece família trapo. Complicada, enrolada e imprevisível.

2030 já tem nome

Reeleito Jorginho Mello, um nome para 2030 já está posto: Adriano Silva. Como vice-governador, assume mandato tampão após Jorginho renunciar para concorrer ao Senado. Outros nomes surgirão, especialmente a partir do resultado da eleição ao Senado deste ano. O tabuleiro de 2030 começa a ser montado agora.

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