A Secretaria de Estado da Segurança Pública busca meios para, de alguma forma — se é que é possível —, amenizar a crise entres polícias Civil e Militar, crise esta que se reacendeu após uma ação, ao meu ver midiática, realizada por um delegado de Balneário Camboriú. Para quem não está por dentro dos pormenores do caso, na semana passada o delegado, que por sinal já foi policial militar da Agência de Inteligência e que reprovou no curso de formação de oficiais, ordenou que as instalações do 12° Batalhão de Polícia Militar, bem como a casa de alguns militares, fossem revistadas, após um homicida confesso, membro de organização criminosa, ter reclamado de “tortura psicológica”. Em resumo, os policiais foram presos, e o homicida, criminoso, com 26 passagens criminais, solto. Pois bem, foi feita a busca e apreensão contra seis policiais do PPT (Pelotão de Patrulhamento Tático) que tiveram suas prisões temporárias efetuadas. A operação, relembro, baseada em denúncias de um criminoso, poderia ter sido um sucesso, se feita de forma cautelosa. Como assim? Eu explico. Não é de hoje que existe uma certa rivalidade entre PM e PC (isso em termos gerais, pois em Jaraguá do Sul dá gosto de ver a irmandade entre as instituições). Então, sabendo dessa rivalidade, o que se esperava era cautela na divulgação dos fatos e na execução dos mandados, o que não ocorreu! Uma nota, que é um tapa na cara da PM, foi divulgada pelo delegado e ex-policial militar, que ainda chamou a Guarda Municipal, outra desavença da PM, para auxiliar no cumprimento dos mandados. Pode piorar? Pode! Um delegado e um agente da Civil postaram uma selfie em frente às viaturas da PM no batalhão. Isso inflou ainda mais os ânimos. Diante de tal situação e da revolta causada pela escandalosa carta de explicação da ação, uma reunião em Florianópolis foi convocada. Os comandos dizem ter reiterado a harmonia e a integração que rege o relacionamento entre as instituições que compõem a secretaria de Estado da Segurança Pública — o que acho difícil na prática entre os mais de 18 mil agentes que compõem o sistema estadual de segurança pública. Não quero proteger nem um, nem outro, mas ambos erraram. Os militares podem ter errado no jeito que conduziram as situações, e o delegado na forma que conduziu a operação. Em tempos de guerra contra a criminalidade, briga entre tropas aliadas só favorece o inimigo. Espero que esses dias de tempestade passem e que tomem como exemplo Jaraguá do Sul e região, onde há serenidade entre as instituições. Desde o coronel e delegado, ao soldado e agente. Isso é reflexo de profissionais excelentes, acima da média, que, por sorte, garantem nossa segurança e harmonia. Para vocês, nobres guerreiros da região, meu abraço e meu reconhecimento pelo trabalho excepcional prestado no que tange o combate e a relação entre instituições. Só temos a ganhar!