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Santos e demônios

Por: Luiz Carlos Prates

22/10/2026 - 06:10

Vi imagens e ouvi a história, larguei o café que estava tomando, passei a olhar para as nuvens e a suspirar. Um suspiro que não sei se era por mim ou por todos, humanidade… Todos nascemos com a semente do saber, essa semente se chama intuição. Intuição é saber das coisas sem saber por que se sabe. É uma benção da vida. A história que ouvi e as imagens junto a ela me encantaram, mas… Não me surpreenderam, apenas me confirmaram um conhecimento. Nós, humanos, nos revelamos nos momentos mais especiais, sem tempo de pensar nem de fazer cálculos interesseiros. As imagens que vi vieram de São Paulo. Um homem tirava mantimentos de um caminhão e o levava para um supermercado. Num desses momentos, ele viu uma criança, quatro anos, caminhando no meio de uma rua movimentada, a mãe da criança havia se distraído. O homem, o “operário”, largou o que fazia e se atirou correndo no meio da rua, pegou o gurizinho no colo e o salvou de um atropelamento. Coisa rápida, segundos. Tudo numa rua típica de São Paulo, movimentadíssima. Salva a criança, tudo em paz, a mãe nervosa, e um repórter que passava por perto parou e entrevistou o “salvador”. A pergunta feita pelo repórter levou o operário/salvador a revelar-se. Ele disse que não pensou em nada, quando viu o guri atravessando a rua ele simplesmente saiu correndo para salvá-lo. Era aqui que eu queria chegar. O nosso caráter, nossa instância moral, se revela nos momentos mais inesperados, quando não temos tempo para pensar. O “operário” correu e se atirou no meio da rua para salvar uma vida, não pensou na dele. Todos temos essa capacidade de vir a ser, mas fique claro, não pensar em si mesmo, simplesmente atirar-se ao destino para salvar uma vida é valor dos verdadeiramente éticos, de alma elevada. Costumeiramente, paramos, pensamos ou nem isso, simplesmente fazemos a besteira que – dentro de nós – é o nosso valor de plantão. Isso acontece na fala, nos gestos de afago ou afastamento, em tudo. Quando nos controlamos é porque o que pretendemos, ou pretendíamos fazer ia nos ferrar na vida, mas…Nosso caráter, bom ou mau, se revela em todos os momentos. O caráter traz a nossa marca real nos atos mais simples e inesperados. Santos são poucos, demônios são incontáveis… Pensemos.

CARTÕES

O futebol pode salvar o Brasil. Salvar como? Pela aplicação incondicional de “cartões”. No futebol, o jogador que produz uma falta um tanto desleal ganha cartão amarelo, isto é, um aviso: no próximo “delito”, cartão vermelho, expulsão. Temos que adotar esse tipo de lei no Brasil. Canalhas pintam e bordam, canalhas de todos os poderes, e não ganham um miserável “cartão amarelo” que seja. Muitos já tinham que ter ganhado o cartão vermelho do nunca mais. Esperem…

VIDA

Sempre que estou diante de um jovem, jovem naquela fase do pensar a vida futura, pergunto sobre o que fará ou gostaria de fazer na vida profissional. Nenhum até hoje me disse que quer ser professor. Não me surpreendo. Entra governo, sai governo, ninguém investe em educação escolar, nenhum valoriza professores e muito menos lhes paga um salário motivador, porém… Sobre penduricalhos são especialistas e motivados.

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FALTA DIZER

A infelicidade na vida tem um olho mágico que nos ajuda muito. A infelicidade nos faz conhecer quem de fato é nosso amigo, amiga. Quando o bicho está nos pegando é que conhecemos quem de fato é nosso amigo, e não quando ganhamos numa Mega Sena. Não é mesmo, oportunistas?

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Luiz Carlos Prates

Jornalista e psicólogo, palestrante há mais de 30 anos. Opina sobre assuntos polêmicos.