A terceira pesquisa Neokemp/OCP de 2026 revela mais do que uma fotografia momentânea da corrida eleitoral. Ela confirma uma característica já consolidada no comportamento político de Santa Catarina: a preferência por candidaturas identificadas com a direita, tanto na disputa estadual quanto no cenário nacional.
No governo do Estado, Jorginho Mello mantém uma posição confortável, beneficiado pela força do cargo, e pela capilaridade política do PL e por uma relação direta com um eleitorado que se identifica com seu discurso. Ainda há uma campanha inteira pela frente, mas seus adversários enfrentam o desafio de construir uma alternativa que vá além da simples oposição ao atual governador.
João Rodrigues aparece como o principal nome capaz de disputar esse espaço. Sua trajetória administrativa, presença no interior e perfil de comunicação direta podem torná-lo competitivo, especialmente se conseguir convencer o eleitor de direita de que representa uma renovação dentro do mesmo campo político. Os demais candidatos, por enquanto, ainda buscam espaço, identidade e capacidade de mobilização.
Na disputa presidencial, o comportamento do eleitor catarinense segue o mesmo roteiro. A liderança de Flávio Bolsonaro mostra que o bolsonarismo continua forte no Estado, mesmo com mudanças de nomes e cenários. Mais do que fidelidade a uma figura política, existe em Santa Catarina uma resistência consistente ao projeto representado pelo PT e por Lula.
Esse quadro, porém, não deve ser interpretado como uma eleição já encerrada. Pesquisas indicam tendências, não sentenças. A campanha oficial, os debates, as alianças e os acontecimentos nacionais ainda poderão alterar percepções. O que parece menos provável é uma mudança profunda na identidade política catarinense.
Em Santa Catarina, a direita não ocupa apenas a liderança das pesquisas. Ela domina o ambiente político, define o tom do debate e obriga os adversários a disputar uma eleição em terreno claramente desfavorável.