Há uma contradição evidente no cenário econômico brasileiro atual — e Santa Catarina talvez seja o melhor exemplo dela.
Enquanto o país convive com crescimento tímido, juros elevados e um ambiente pouco favorável ao investimento, nosso estado segue avançando. Em 2025, a economia catarinense cresceu quase o dobro da média nacional, impulsionada por uma combinação rara de indústria forte, agricultura, comércio dinâmico e serviços em expansão. Para 2026, as projeções seguem no mesmo sentido: crescimento acima do Brasil, mesmo diante de um cenário macroeconômico bastante adverso.
Não se trata de um ponto fora da curva. Trata-se de um modelo construído há muitas décadas.
Santa Catarina construiu, ao longo de toda sua trajetória, uma economia baseada na diversificação produtiva, na força do empreendedorismo e em uma cultura de menor dependência do poder público. É um ambiente onde o setor privado não apenas reage — ele lidera.
Mas há um limite.
O mesmo levantamento que aponta crescimento também revela um dado preocupante: o empresariado catarinense está cauteloso. Apenas cerca de um quarto dos empresários pretende investir em expansão neste momento. A razão é conhecida — e não está dentro das fronteiras do estado.
O crédito segue caro. Muito caro.
Com a taxa básica de juros em patamar elevado — o maior em duas décadas — o custo do dinheiro se tornou o principal freio da economia real. O resultado é imediato: empresas adiam investimentos, reduzem planos de expansão e adotam uma postura defensiva. Em outras palavras, não falta capacidade de crescer — falta condição para isso.
Esse descompasso revela algo mais profundo sobre o Brasil.
De um lado, há um país produtivo, eficiente e resiliente — representado por estados como Santa Catarina. De outro, há um ambiente institucional que impõe obstáculos estruturais: juros altos, insegurança econômica e excesso de intervenção indireta sobre quem produz.
Ainda assim, Santa Catarina avança.
Mesmo com esse cenário, o estado mantém níveis elevados de emprego, confiança do consumidor e dinamismo econômico. Isso não elimina os problemas — mas evidencia uma característica fundamental: a capacidade de crescer apesar das limitações impostas pelo contexto nacional.
É aqui que a discussão deixa de ser apenas econômica e passa a ser política.
O desempenho catarinense sugere que o Brasil não sofre de falta de potencial. Sofre de excesso de entraves. A diferença entre crescer pouco e crescer de forma consistente não está apenas na capacidade produtiva — está nas condições oferecidas para que essa capacidade se transforme em resultado.
Santa Catarina já demonstrou qual é o caminho: segurança jurídica, incentivo ao empreendedorismo, valorização do trabalho, gestão responsável e um poder público que não sufoca quem gera riqueza.
O que falta é o Brasil acompanhar.
A pergunta que se impõe, portanto, é simples: até quando Brasília vai continuar dificultando aquilo que já provou funcionar?
Porque, no ritmo atual, a maior virtude de Santa Catarina não é apenas crescer.
É resistir.