Quem são os grandes? – Luiz Carlos Prates

Por: Luiz Carlos Prates

01/04/2024 - 08:04 - Atualizada em: 01/04/2024 - 08:33

Estava sem ter o que fazer. Sentado na área olhando os passarinhos nas árvores, interessante, mas… Incomoda-me esse ficar parado. Fui à minha caixa de frases, minha caixa de frases é uma farmácia, afinal, quem não sabe que frases, conceitos, provérbios nos fazem abrir mais e melhor os olhos? Fui à ela, à caixa. Aberta a tampa, não olhei para as frases, meti a mão e trouxe a primeira que me chegou. Tirei-a, olhei-a e fiquei pensando. Pronto, já tinha o que fazer: pensar na frase. Ela dizia simplesmente assim: – “Os grandes são grandes porque estamos de joelhos. Levantemo-nos”! Será que a leitora ou o leitor contesta? Não nos damos conta, mas vivemos de joelhos para muitas coisas na vida, não sei como os nossos joelhos agüentam. Agora, fique claro, comparações nos colocam, mais das vezes, de joelhos. Deixemos os outros de lado, não me posso ficar de joelhos diante de um vizinho só porque ele trocou de carro. Eu que levante mais cedo e parta para buscar o dinheiro de que vou precisar para trocar de carro. Penso também que as questões materiais são as menores. Nessas questões materiais tudo é possível ao que crê… Sim, mas e as questões que envolvem talentos especiais, como os esportes, as artes plásticas, a música e outras artes? Não importa que não tenhamos esses talentos, mas temos outros. E era aqui que eu queria chegar para que paremos de andar de joelhos diante dos “grandes”. Um sujeito que sabe bater um prego na parede de um modo especial, um talento especial, enfim, de bater pregos, quem vai cotejá-lo? Alguém vai, cedo ou tarde, buscá-lo para bater alguns pregos em sua casa. Ah, mas eu não quero um talentinho desses que não valem nada… Na hora em que o bicho da vida está por nos pegar, uma pessoa desconhecida pode ser a nossa salvação, uma pessoa até então vista como “pequena”. Pequena costuma ser a nossa cabeça, cabeça que silenciosamente vive invejas, frustrações, infelicidades, mas que por fora arrota alto dizendo-se grande. Grande nas aparências. Quem se vir grande sem prepotências ou arroubos será grande. Os demais são os frustrados das comparações. Os “grandes” são poucos e calados. Temos que poupar os joelhos e libertar as asas…

COITADA

Ela é personagem-mãe numa destas novelas da tarde. A filha se preparando para casar e a mãe diz à filha: – “Ah, querida, como me sinto realizada, não há nada mais importante para uma mãe na vida que ver a filha casar…”. Claro, o autor usou de uma linguagem alicerçada sobre a verdade de pessoas miseráveis. Casar sempre foi uma loteria, mais das vezes de bilhete branco, sem prêmio. A “mãezinha” diria isso ao filho noivo?

DIVÓRCIO

Gisele Bundchen, a modelo das modelos brasileiras, foi casada por muitos anos com o jogador de futebol americano Tom Brady. Separaram-se, ele a traiu. Gisele está namorando outro sujeito, contam os amigos. Tudo bem? Devia estar, mas li uma declaração da imprensa mundial dizendo que Tom estaria tentando se adaptar ao novo romance de Gisele. Adaptar-se? Desde quando um traíra fica ciumento de um namoro pós-divórcio da mulher? Típico dos machinhos.

FALTA DIZER

Andava por um shopping de Florianópolis quando um senhor passou por mim e me cumprimentou, citou comentários meus na RBA-TV, colunas lidas, essas coisas. Debaixo do braço ele tinha três jornais, recém-comprados. Aí foi minha vez de cumprimentá-lo. Um cidadão que lê jornais sabe mais e não se cala em qualquer conversa. Cumprimentos, “seo” Inácio!