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Quando prevenir vale mais do que reconstruir

Por: Editorial

08/05/2026 - 06:05

Santa Catarina aprendeu, da forma mais dura, que eventos climáticos extremos não são exceção. São realidade. Enchentes, deslizamentos, enxurradas e estiagens fazem parte da história do Estado e, diante das mudanças climáticas, tornaram-se ainda mais frequentes e intensos. A diferença, agora, é que Santa Catarina começa a responder esse desafio com planejamento, estrutura e investimentos à altura da sua vulnerabilidade geográfica.

O anúncio de mais de R$ 900 milhões destinados à Defesa Civil entre 2023 e 2026 representa um marco histórico. Não apenas pelo volume de recursos, o maior já registrado, mas pelo entendimento de que prevenção custa menos do que reconstrução. Durante décadas, o Estado conviveu com ações emergenciais após tragédias já instaladas. Hoje, o foco começa a mudar para antecipação, monitoramento e infraestrutura preventiva.

A modernização das barragens, a ampliação da rede hidrometeorológica, o desassoreamento de rios e a estruturação das defesas civis municipais demonstram que o enfrentamento aos desastres exige atuação integrada. Em um estado cercado por rios, serras e áreas densamente povoadas, investir em tecnologia, monitoramento em tempo real e resposta rápida deixou de ser opcional.

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O reflexo dessa mudança também aparece nos municípios. Jaraguá do Sul intensificou a limpeza de valas, córregos e a instalação de galerias pluviais em pontos críticos. Guaramirim ampliou ações preventivas em bairros historicamente afetados por alagamentos, incluindo desassoreamento, troca de tubulações e manejo de árvores em áreas de risco. São medidas que muitas vezes passam despercebidas pela população, mas que fazem diferença justamente quando a chuva chega.

Mais do que obras, essas ações representam uma mudança de mentalidade. Cidades preparadas salvam vidas, preservam patrimônios e reduzem impactos econômicos e sociais. A prevenção silenciosa raramente ganha manchetes, mas é ela que evita tragédias.

Com a possibilidade de um novo ciclo do El Niño nos próximos meses, Santa Catarina entra em alerta, mas também em um cenário diferente daquele vivido anos atrás. Ainda há desafios enormes, especialmente em áreas historicamente vulneráveis, porém o Estado começa a construir uma cultura de prevenção permanente.

Porque enfrentar eventos extremos não depende apenas da força da natureza, mas da capacidade humana de se preparar antes que eles aconteçam.

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