As recentes ocorrências de afogamento na região acendem um alerta que não pode ser tratado como fatalidade isolada ou coincidência estatística. Em poucos dias, duas mortes em Jaraguá do Sul e um salvamento em Schroeder expõem um padrão que se repete ano após ano: a subestimação dos riscos associados à água, seja em rios, cachoeiras ou até mesmo em piscinas.
Há um equívoco recorrente de que saber nadar é suficiente para garantir segurança. Não é. A falsa sensação de controle, especialmente em piscinas e pontos conhecidos de banho, costuma ser o primeiro passo para o descuido. Rios mudam de comportamento com rapidez, sobretudo após chuvas, alterando profundidade, correnteza e escondendo obstáculos invisíveis. Cachoeiras, por sua vez, combinam riscos naturais pouco perceptíveis, como pedras escorregadias, choque térmico e as perigosas cabeças d’água, capazes de transformar um cenário tranquilo em uma armadilha em segundos.
O choque térmico, muitas vezes ignorado, é outro fator silencioso. Entrar abruptamente em água fria após exposição ao calor pode provocar dificuldade respiratória e perda momentânea de controle do corpo. Em situações assim, mesmo pessoas experientes podem entrar em pânico, tornando-se vulneráveis ao afogamento.
Prevenção, portanto, não é exagero nem excesso de cautela. É responsabilidade. Evitar banhos solitários, observar as condições climáticas, entrar gradualmente na água e manter objetos flutuantes por perto são medidas simples, mas decisivas. São atitudes que não limitam o lazer, apenas o tornam mais seguro.
Cada ocorrência grave carrega um custo humano irreparável e um impacto profundo nas famílias e na comunidade. Transformar esses episódios em aprendizado coletivo é o mínimo que se espera. A água, tão presente na paisagem e no lazer da região, exige respeito constante. Ignorar seus riscos é insistir em uma tragédia anunciada.