A decisão do governo federal de zerar novamente o Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50 (dólares) recoloca em evidência um debate que vai muito além do preço final pago pelo consumidor. Em jogo está a capacidade da indúst
A medida provisória que extinguiu a cobrança federal de 20% sobre remessas internacionais de pequeno valor é vista por muitos consumidores como um alívio no bolso. No entanto, representantes do setor produtivo alertam para um efeito colateral relevante: a ampliação da diferença de tratamento tributário entre produtos importados e aqueles fabricados no Brasil.
A preocupação ganha ainda mais peso em Santa Catarina, o estado abriga uma das mais importantes cadeias têxteis e de confecção do País. Este segmento responde por cerca de 20% dos empregos industriais catarinenses e movimenta uma extensa rede de empresas, fornecedores e trabalhadores. Qualquer alteração que afete a competitividade dessas indústrias pode gerar reflexos diretos sobre investimentos, produção e geração de empregos.
O ponto central da discussão não é a abertura ao comércio internacional. A concorrência faz parte da dinâmica econômica e pode beneficiar consumidores e empresas. O questionamento está na diferença de regras. Enquanto produtos importados passam a contar com uma carga tributária reduzida, a indústria nacional continua enfrentando custos elevados relacionados a tributos, encargos trabalhistas, infraestrutura e burocracia.
Nesse contexto, o desafio é encontrar um equilíbrio que permita ao consumidor acessar produtos com preços competitivos sem comprometer a capacidade produtiva do país. Uma política que favoreça exclusivamente a importação, sem atacar os gargalos estruturais da produção nacional, pode gerar ganhos imediatos, mas também riscos de longo prazo para a economia.
O debate agora segue para o Congresso Nacional, que terá a responsabilidade de avaliar os impactos da medida nos próximos meses. Mais do que discutir impostos, a decisão envolve refletir sobre qual modelo de desenvolvimento o Brasil pretende fortalecer: um baseado apenas no consumo ou um que também preserve a capacidade de produzir, inovar e gerar empregos dentro de suas próprias fronteiras.