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Princípio não deve ter partido

Foto: Divulgação/CVJS

Por: Renan Ribas

15/09/2026 - 06:09

Na sessão da Câmara de Jaraguá do Sul desta segunda-feira (14), a vereadora Sirley Schappo, do Novo, fez uma manifestação que merece atenção menos pelo episódio em si e mais pelo significado político. Ela criticou a repercussão da abordagem policial envolvendo a advogada Fernanda Klitzke, candidata a suplente ao Senado pelo PT, e condenou os comentários que justificaram a violência pelo fato de Fernanda ser petista.

Sirley poderia ter escolhido o silêncio. Afinal, trata-se de uma mulher ligada a um partido que está no extremo oposto do seu campo político. Mas fez o contrário: subiu à tribuna para dizer que divergência ideológica não pode servir de justificativa para relativizar uma eventual violência.

Quando o adversário também tem direitos

Isso não significa condenar previamente a Polícia Militar, nem absolver quem quer que seja. Se houve resistência ou qualquer outra irregularidade, que seja apurada. A polícia tem o direito e o dever de agir e também está sujeita à apuração quando sua conduta é questionada.

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O problema começa quando a filiação partidária passa a determinar quem merece compreensão, defesa ou até respeito.

Se alguém merece um tratamento diferente porque é petista, amanhã alguém poderá defender o mesmo contra um bolsonarista, um liberal ou qualquer outro adversário. Quando a ideologia passa a definir quem merece direitos, a política deixa de ser disputa de ideias e vira torcida.

A fala de Sirley vale justamente por isso: ela não estava defendendo alguém do seu campo. Estava defendendo um princípio que precisa valer também para quem pensa diferente.

Talvez essa seja a verdadeira prova de coerência política: saber se nossos princípios continuam de pé quando é o adversário quem precisa deles.

 

Eleições no horizonte

A cada dia que passa, as Eleições 2026 se aproximam — o primeiro turno será em 4 de outubro. E, com o calendário avançando, a tendência é de que o ambiente político fique cada vez mais movimentado. Discursos, críticas, alianças e divergências devem ganhar ainda mais espaço. A reta final costuma elevar a temperatura, ampliar a disputa por atenção e colocar os candidatos ainda mais no centro do debate.

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