A sétima arte costuma ser generosa quando apresenta piratas. Explora o lado aventureiro, as belíssimas paisagens, as lutas e as conquistas desses anti-heróis, geralmente protagonizados por galãs, charmosos e bem-humorados. Prova disso são os inúmeros filmes que mostram esse lado “romântico” da pirataria, gênero que ressurgiu com força total nos anos 2000 e povoa não somente a fértil imaginação juvenil, mas todas as faixas etárias. Que atire a primeira pedra quem nunca assistiu e se encantou com as películas estreladas pelo talentoso e contravertido Johnny Depp. Tudo bem que não se tratam de obras-primas, nem de um retrato histórico fiel da pirataria, mas quem se importa com isso ao assistir esse tipo de filme na tela grande, pronto para sonhar e deixar os problemas cotidianos bem longe dali? E de nada adianta os críticos torcerem o nariz para o desempenho de Depp, que é acusado de ter gravado “no automático”, por suas bebedeiras, seus atrasos, brigas públicas e má fase na vida pessoal. Os fãs do ator não estão nem aí para isso! Vale lembrar que entretenimento é escolha pessoal, e que gostos não se discutem. A figura mítica do personagem Jack Sparrow se sobrepõe às inverosimilhanças com a vida real. Tanto isso é verdade que, até os primeiros dias de junho, “Piratas do Caribe – A vingança de Salazar”, o quinto da franquia filmado pelos estúdios Disney, foi lançado no dia 25 de maio em solo verde-amarelo e já arrecadou 5,6 milhões de dólares por aqui. E no mundo, a bilheteria alcançou 387 milhões de dólares nesse mesmo período. naparede-jolly Pulando da ficção para o mundo real, as velas negras e a caveira com duas espadas cruzadas espalharam o terror pelos mares entre os séculos 16 e 18. Foi a “época de ouro” dos piratas, definição mais do que apropriada, considerando que ouro e pedras preciosas estavam entre os ítens mais cobiçados por esses assaltantes sanguinários e sem escrúpulos, que tanto roubavam nos oceanos como em terra firme. Lamentável é constatar que essa característica predatória perdura até hoje: saíram de cena os bandidos com bandanas e tapa-olhos e entraram os ladrões de terno e gravata. Enquanto os antigos piratas assaltavam em campo aberto, com espadas e mosquetes, os piratas contemporâneos planejam e executam grandes pilhagens às escondidas: matam do mesmo jeito, porém, agora pela escassez de recursos públicos nas áreas da saúde, educação, infraestrutura, segurança... Triste realidade brasileira escancarada aos nossos olhos!