Dalanzodgad, província de Umnulgovi, você já ouviu falar? Até recentemente, antes de assistir a uma reportagem sobre a existência do Festival de Camelos da Mongólia, nunca tinha ouvido falar desse lugar. A partir dai fiquei sabendo de que esse festival atrai mais de 15 mil participantes a cada edição, em sua maioria pastores nômades e seminômades, que competem utilizando os camelos bactrianos. Com roupas coloridas e bordadas, bastante agasalhados para enfrentar o vento e o frio, crianças e adolescentes montam nos camelos e saem em disparada por cerca de 15 quilômetros através das estepes do Deserto de Gobi, apontado como o maior do mundo. E para quem não sabe, mais uma curiosidade: os camelos bactrianos, robustos e de porte altivo, são considerados excelentes animais para transporte de carga e deles são aproveitadas a lã, para roupas, cobertores e cordas, e são consumidos a carne e o leite. Preciosos, sem dúvida, se considerarmos que a população enfrenta invernos extremamente rigorosos e que mais da metade está abaixo da linha da pobreza... Em terras tupiniquins e das bandas de cá do planeta, pouco se sabe desse exótico país asiático, que tem origem nos temidos guerreiros mongóis liderados por Gengis Khan, fato que os enche de orgulho até hoje. No outro extremo do mundo, ainda é possível contemplar a quietude e a imensidão do deserto e apreciar corridas de cavalos e competições de arco e flecha. Um país escassamente povoado, com uma população que não supera 3 milhões de habitantes, apesar de ser o 19º maior em extensão territorial, tem mais cavalos do que gente, imagine! Porém, o meu fascínio por esse povo longínquo de hábitos e tradições quase intocados não vem de hoje. Surgiu há alguns anos, ao procurar mantras tibetanos e indianos para relaxar, e me deparar com a instigante música da Mongólia. O canto forte remete à origem, à terra e demais elementos da natureza, complementado pelo som de instrumento rústico-artesanal, de duas cordas, que lembra um violoncelo. Energia vital, possivelmente vinda dos estepes do Deserto de Gobi... Hora de fechar os olhos e se deixar levar pela música.