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Passagem de Lula por SC consolida o quadro de polarização

Por: Claudio Prisco Paraíso

01/07/2026 - 06:07 - Atualizada em: 30/06/2026 - 16:53

A passagem de Lula da Silva por Santa Catarina foi trágica e desastrosa — e não produziu apenas decepção. Produziu consequências eleitorais que vão durar muito tempo. Um presidente da República que chega a um estado, agride sua sociedade sem limites, ataca seu governador com metralhadora giratória e sai pela porta dos fundos achando que fez um bom trabalho. Um homem que parece completamente alterado, fora do juízo, distante da realidade que o cerca.

Mas ao contrário do que pensou, ele não enfraqueceu ninguém — ele apenas reorganizou o tabuleiro. E reorganizou contra si mesmo. Porque em política, quando você vai ao território do adversário para ofender, para diminuir, para atacar quem trabalha e produz, você não conquista voto — você entrega voto. E foi exatamente isso que Lula fez. Entregou. De bandeja. Com laço e tudo. Santa Catarina não é terreno fértil para quem chega com arrogância e sai com insultos na bagagem. Nunca foi. E jamais será.

Polarização inevitável

O efeito imediato é claro: ao atacar a sociedade catarinense e acionar a metralhadora contra Jorginho Melo, Lula acelerou a polarização. Direita contra esquerda. PL contra PT. Flávio Bolsonaro contra Lula da Silva. Bolsonarismo contra lulismo. Muito claramente, sem meio-termo, sem espaço para o centro respirar. O que já estava se desenhando no plano nacional chegou de vez ao estado.

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Merísio fragilizado

É verdade que Lula fragilizou eleitoralmente Gelson Merísio enquanto candidato a governador. Não há como negar. Mas mesmo assim, a polarização vai fazer com que Merísio seja o contraponto natural de Jorginho Melo. A lógica é simples: quem quer Lula, vota nele. Quem quer Flávio Bolsonaro, vota em Jorginho. O campo está dividido — e cada lado vai para o seu.

João Rodrigues apagado

Nesse cenário, João Rodrigues, o outro candidato conservador, acaba em segundo plano. Quem for votar em Lula verticaliza com Gelson Merísio. Quem for votar em Flávio Bolsonaro vai de Jorginho Melo. Não sobra espaço. Por mais que João Rodrigues tenha formado uma chapa competitiva, com nomes como Carlos Chiodini, Esperidião Amin e Antídio Lunelli — nomes, aliás, que estavam mapeados para estarem com Jorginho — ele vai acabar se tornando uma figura decorativa nessa disputa.

SC é conservador

Santa Catarina é essencialmente conservadora e potencialmente bolsonarista — temos dito isso repetidas vezes. Quem não quiser Lula e a esquerda vai de Jorginho Mello. É matemática eleitoral. E a visita presidencial, com todas as suas infames declarações, só acelerou esse movimento. Empurrou o eleitor para os lados. Eliminou o centro. Nacionalizou a disputa estadual de vez.

Presente de encomenda

Jorginho Mello está vibrando — e tem razão. O presidente veio até Santa Catarina e entregou ao governador um presente que, se ele pedisse por encomenda, não receberia. Os ataques ao estado, ao povo, ao governador: tudo isso se converte em capital eleitoral para quem está do lado oposto. A incursão de Lula foi o melhor comício que Jorginho Melo poderia ter realizado — e ele não precisou abrir a boca.

Barbaridades pronunciadas

E que barbaridades foram essas. Qualificou os catarinenses de racistas, de nazistas, sugeriu que o estado seria favorável aos brancos e contrário aos negros, atacou a prosperidade de Santa Catarina como se riqueza fosse crime. Tudo isso pronunciado por um cidadão que, ao que tudo indica, já não está bem das suas faculdades. Já não está com o juízo em perfeitas condições. É o que os fatos demonstram, discurso após discurso.

Rejeição crescente

E o efeito não é só aqui. Lula começa a provocar reação até em áreas, setores e regiões onde vinha merecendo apoio majoritário. No Nordeste — Bahia, Pernambuco, Ceará, os três maiores estados — ele começa a perder consistência. As candidaturas conservadoras avançam. O que era reduto blindado começa a rachar.

Mapa eleitoral mudando

O Brasil está mudando de cor no mapa — e Lula está ajudando. Cada discurso desastrado, cada improviso sem teleprompter, cada ofensa gratuita afasta um eleitor que ainda lhe restava. O lulismo não é eterno. E ele mesmo está se encarregando de provar isso.

SC não esquece

No final das contas, a visita presidencial a Santa Catarina vai ser lembrada — mas não da forma que ele gostaria. Vai ser lembrada como o momento em que um presidente veio ao estado, nos insultou, nos chamou de nazistas e racistas, e foi embora achando que tinha feito política. Nós, catarinenses, não esquecemos. E nas urnas, vamos responder com a única linguagem que ele entende.

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