O fim de semana político em Santa Catarina teve um protagonista inequívoco: o PL. A passagem do senador Flávio Bolsonaro pelo estado consolidou, de maneira explícita, aquilo que o governador Jorginho Mello vem construindo desde 2022: a condição de principal aliado da família Bolsonaro no Sul do país e único detentor do palanque bolsonarista em território catarinense.
Flávio desembarcou no início da tarde de sexta-feira e permaneceu até o fim da tarde de sábado. A agenda foi intensa sob os aspectos político, partidário e eleitoral, culminando no grande ato realizado no Norte da Ilha, em Florianópolis, que reuniu cerca de cinco mil pessoas entre lideranças, parlamentares, prefeitos, vereadores, militantes e simpatizantes.
O evento serviu como demonstração de força do PL catarinense, mas, sobretudo, de força pessoal de Jorginho Mello. Não apenas pela mobilização realizada, mas pela representatividade política presente no encontro.
Olho no olho
Ali, Flávio Bolsonaro teve a oportunidade de conhecer oficialmente o ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva, apresentado como futuro vice na chapa de reeleição de Jorginho Mello.
A engenharia eleitoral liberal começou, inclusive, a ganhar contornos mais visíveis. Além da dobradinha ao governo, foi exposta a composição majoritária que o PL deseja homologar na convenção: Carol De Toni e Carlos Bolsonaro como candidatos ao Senado.
Carluxo no radar
Se havia alguma dúvida sobre a prioridade da família Bolsonaro em Santa Catarina, ela desapareceu durante a passagem de Flávio pelo estado.
O senador deixou claríssimo que a missão política central é eleger o irmão, Carlos Bolsonaro, senador da República.
Mãos dadas
E Carol De Toni compreendeu perfeitamente a lógica da construção eleitoral. A deputada fez questão de atrelar seu nome ao de Carlos Bolsonaro, numa estratégia que remete diretamente à histórica eleição de 2010, quando Luiz Henrique da Silveira impulsionou Paulo Bauer ao Senado.
Sintonia
A fórmula é simples e objetiva: candidato à Presidência forte, candidato ao governo altamente competitivo e uma composição ao Senado funcionando em bloco, formando um tripé eleitoral para puxar votos de maneira verticalizada.
Traduzindo: o projeto bolsonarista em Santa Catarina trabalha para transformar Jorginho, Flávio e Carol em alavancas eleitorais de Carlos Bolsonaro.
“Só existe um palanque”
O momento politicamente mais simbólico da visita ocorreu durante o discurso de Flávio Bolsonaro.
Sem rodeios, ele afirmou que possui apenas um palanque em Santa Catarina. E esse palanque é o de Jorginho Mello.
Gestão de resultados
Mais do que isso: fez elogios contundentes à gestão do governador e reforçou publicamente a relação de proximidade entre Jorginho e a família Bolsonaro.
Durante toda a permanência do senador catarinense em solo barriga-verde, Jorginho atuou como anfitrião absoluto. Ciceroneou Flávio em todos os compromissos e consolidou uma imagem que interessa diretamente ao PL nacional: a de que Santa Catarina é território prioritário do bolsonarismo-raiz.
Direita
Ao ser questionado pela imprensa, Flávio foi ainda mais explícito ao afirmar que Jorginho representa “a verdadeira direita” em Santa Catarina. A declaração teve endereço político evidente.
Recado para João Rodrigues
Ao defender Jorginho como único candidato da “verdadeira direita”, Flávio Bolsonaro praticamente aplicou um “chega pra lá” no prefeito de Chapecó, João Rodrigues, também pré-candidato ao governo do estado.
Outra turma
E chamou atenção outro detalhe: Flávio evitou cuidadosamente citar o nome do senador Esperidião Amin, apesar da longa e produtiva convivência entre ambos no Senado ao longo de quase oito anos.
A razão parece evidente. O foco absoluto do clã Bolsonaro é assegurar a eleição de Carlos Bolsonaro ao Senado a partir de fevereiro de 2027. Não há espaço para ambiguidades políticas.
Verticalização
As pesquisas recentes reforçam o ambiente de otimismo no entorno do governador. Jorginho Mello aparece com vantagem considerável sobre o conjunto dos adversários e já se aproxima da casa dos 55 pontos percentuais, mantendo aproximadamente 25 pontos de frente sobre a soma de todos os concorrentes.
Muita água
É evidente que a campanha ainda não começou oficialmente. O calendário pré-eleitoral segue até meados de agosto, quando então se abrirão os 50 dias da campanha propriamente dita.
Mas o cenário atual projeta uma possibilidade concreta de vitória em primeiro turno. Mas, como diz o ditado popular, “muita água ainda vai passar por debaixo da ponte.”
Nominatas liberais
O PL trabalha com perspectivas extremamente ambiciosas para outubro: reeleger o governador, eleger os dois senadores da chapa, conquistar no mínimo sete cadeiras na Câmara Federal e cerca de 14 vagas na Assembleia Legislativa.
Contingente
Na prática, seriam 25 detentores de mandato vinculados diretamente ao projeto político liderado por Jorginho Mello — contando governador, vice, dois senadores, deputados estaduais e federais. Trata-se de um desenho de poder extremamente robusto.
Terceira onda?
Tudo ancorado na lógica da verticalização eleitoral, fenômeno que surgiu de maneira avassaladora em 2018 com a inesperada onda Bolsonaro, repetiu-se em 2022 fortalecendo ainda mais o PL, e que agora pode ganhar novo impulso com Flávio Bolsonaro como eventual candidato ao Palácio do Planalto.
O recado emitido no Norte da Ilha foi cristalino: o bolsonarismo em Santa Catarina já escolheu lado, palanque e prioridades.