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Os desiguais

Por: Luiz Carlos Prates

02/07/2026 - 07:07

Não sou contra as pessoas que estão nesse barco, sou contra a sociedade hipócrita que estabelece ridículas escadas sociais. Você já notou quanto ganha um tenista que chega às disputas de Roland Garros, por exemplo? O tenista chega ao torneio, ganha duas ou três partidas e sai com mais ou menos 2,5 milhões de reais no bolso. Dinheiro convertido do euro ou do dólar. E isso vale para muitíssimos jogadores de futebol, cantores (sem voz nem estilo), mas podres de ricos com dinheiro de shows, como outros tantos por aí ganhando rios de dinheiro, mas… Quanto ganho um esfalfado professor? Uma pessoa que estuda todos os dias, faz disciplina em sala de aula, passa lições, corrige provas e ainda é desrespeitosamente ofendido por pais de alunos vagabundos, quanto ganha esse professor? Será que ao longo da vida chegará um professor a ter no banco dois milhões? Vale para médicos competentes, dedicados, decentes, acima de tudo, será que ganham o que ganha um tenista, um cantor ou um jogador (farsante) de futebol? Essa é a sociedade em que vivemos, uma sociedade falsa que vive pregando justiça, direitos humanos, mas tudo em causa própria. Os outros que se danem. Nunca vai dar certo a vida sobre a Terra, nunca, como nunca deu até hoje. Durante muito tempo ouvi falar de países europeus, “primeiro mundo” como diziam os levianos. No sentido maior da expressão, a Europa nunca foi primeiro mundo em nada, hoje se sabe de tudo pelos radares dos modernos modos de comunicação. Não há mais segredos. Há pessoas que trabalham como bois de carga, e qual o salário? Ganham um “chicote” salarial… E se essas pessoas sumissem da sociedade, quem iria fazer o que elas fazem? Quem limparia os sanitários dos ricos, por exemplo? “Ah, Prates, mas tu vives dizendo que ninguém é obrigado a fazer o que faz, que todos somos livres para ser e crescer…”! Sim, vivo dizendo isso, mas isso não anula o desrespeito diante de muitas pessoas nem justifica os rios de dinheiro dados para quem disputa um jogo ou faz cantorias bregas num palco. A sociedade insana em que vivemos despreza os pobres, ainda que sejam pessoas santas no caráter, e aplaude os trapaceiros, os que estão nos degraus mais altos do poder. Poder? E quando me lembro das eleições, bah, desisto da esperança…

REVELAÇÃO

As pessoas, de fato, se revelam por todos os poros. Uma amiga me contou de uma decepção por que passou. Foi convidada para fazer uma palestra, em Florianópolis, numa empresa de gerenciamentos e negócios. Sala lotada. Terminada a palestra da amiga, uma intelectual de primeira, um dos organizadores da palestra disse que ela podia ter sido “melhor” se tivesse feito brincadeiras ao longo da palestra. Agora é assim, palestras têm que ter circo, de outro modo os “nem-aí” não ouvem nem gostam. Credo, com essa gentinha.

FIGURINHAS

Sim, faz parte da vida, faz parte da infância… Um shopping de Florianópolis recebeu, por longas horas, centenas, milhares de guris buscando comprar ou trocar figurinhas da Copa. Sim, coisa de jovens, mas… E será que também se motivam por livros, leituras, será que tiraram boas notas neste primeiro semestre escolar? Os pais – os omissos por maioria – que respondam.

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FALTA DIZER

Sem se dar conta, elas se discriminam entre elas. Uma repórter na Copa do Mundo entrevistando brasileiros, famílias. A repórter ouviu só os homens. – Ah, foi um descuido, ah, os homens têm mais a dizer sobre futebol! – Ah, então, tu repórter mulher, tinha que ter ficado em casa. Elas não se ajudam…

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Luiz Carlos Prates

Jornalista e psicólogo, palestrante há mais de 30 anos. Opina sobre assuntos polêmicos.