Não há com evitar. Sempre caímos no lugar comum de comparar a Era de Ouro (nossa juventude) com a geração presente. É o velho discurso do “era tudo mato”. Sabe qual é? São aquelas falas que o sujeito faz admitindo estar virando ancião. Eu, por exemplo, quando passo pela Vila Nova com alguém de vez em quando solto dessas: “Há vinte anos, isso aqui era tudo mato. Nem sonhava com calçamento nessas ruas. Ficava quase surdo de ouvir o coaxar dos sapos nesses lotes.” (Velho que se preza chama Terreno de Lote... Chama Salário de Ordenado... Chama o Museu Municipal de Antiga Prefeitura... Pior de todas: Chama Colégio de Grupo). Cada geração sente-se, de certa forma, incomodada com a seguinte. Pois a Nova Onda vem, literalmente, como um Tsunami, varrendo nossos costumes, nossa percepção de mundo. Colocando para escanteio tudo aquilo que, ludicamente, achamos que fizemos para revolucionar. Às vezes, dou risada lembrando... Pelos meus 16 anos, usava aquele tipo de calça que os mais velhos (carinhosamente) chamavam de “calça cagada”, com a cueca aparecendo e tal. E usava bonés com aba encurvada. Sim, eu era desses. Meus tios viviam brigando comigo: “Vai colocar uma cinta, guri. Arruma esse boné!” Hoje em dia, eu vejo skatistas por aí usando calça justinha, apertada! Boné de aba reta! Pior, com telinha na parte de trás! Já falei para alguns: “Vai colocar uma calça larga, rapaz! Onde já se viu andar de skate com essa calça de pião de rodeio? E que boné é esse? Roubou num posto de gasolina?”. No meu tempo, se um piá usasse boné de aba reta, apanhava na escola. Com telinha, então? Nem quero imaginar... Atualmente, a novidade é caçar Pokémon. Vejo pais levando os filhinhos pela cidade atrás dos ditos. Já vi e ouvi pais dizendo que iam caçar alguns para os filhos, para eles não precisarem sair de casa. Como assim? O legal não é jogar? É ter os bichinhos? Tem que chegar na escola e exibir um smartphone com uma galeria chega de Pikachus? No meu tempo (lá vou eu de novo nessa), moral era chegar na escola e mandar ver na letra completinha de Faroeste Caboclo. Tinha até grupo que defendia (torcida): “Meu amigo canta muito melhor que o seu”. Era um tal de mostrar quem cantava melhor, quem sabia a letra com maior segurança, tanto que a história do João de Santo Cristo virava um rap. Sujeito cantava a música de dez minutos em dois. Ficava vermelho, não respirava, mas largava a letra todinha na cara do adversário. Este, por sua vez, na dor de cotovelo, dizia: “Tá errado”. Aí começava a briga... O pior é que, de sacanagem mesmo, o tal Renato Russo colocou a frase “quando veio pra Brasília, com o diabo ter”. Ninguém sabia se era isso mesmo, até chegar alguém, com pinta de juiz, em posse de uma revistinha Violão e Guitarra, aquelas com as páginas amareladas, que misturava cifras de rock e pagode, para tirar a dúvida da rapaziada. E não tem jeito, mesmo. Nós sempre vamos achar que nossa geração era a mais legal e que essa galera nova jamais vai parar por nove minutos para ouvir uma música só... A não ser que esteja num PokeStop, esperando carregar mais Pokebolas.