Onde está a porta? – Luiz Carlos Prates

Por: Luiz Carlos Prates

07/05/2024 - 07:05

Muito difícil achar a porta de saída deste mundo sem luz em que estamos a viver. Quando digo sem luz quero dizer sem bons exemplos. Um mundo de um “vale-tudo” especialmente para os jovens nascidos “por acaso”. Maioria absoluta. Os jovens americanos criaram, faz algum tempo, o chamado “lazy job”, que eu traduzo como “trabalho vadio, trabalho de qualquer jeito”. E essa filosofia está ganhando o mundo. Agora chegou a vez dos jovens chineses entrarem nesse barco furado. Os jovens chineses, os que estão entrando no mercado trabalhista, já chegam criando um estilo. Esse estilo ganhou o nome inglês de “lie fat”, que numa tradução adaptada vale por “pegar leve”. Mais ou menos isso. Quer dizer, no trabalho pegar leve, nem aí para o esforço indispensável e característico dos motivados da vida. Ah, e sem falar que os jovens chineses estão adotando o “vale-tudo” no vestuário. Saem de casa como dormiram, de pijama, camisolões, pantufas, cabeça enrolada em mantas, afinal, estão vivendo o inverno… Um desaforo, um enfrentamento ao correto. Aliás, falando em correto, dia destes falei aqui do homem hoje considerado o mais idoso no planeta, o britânico John Tinniswood, 111 anos. Ele disse, numa entrevista, que o segredo da longevidade é fazer sempre o melhor que você puder. Simples e óbvio. Claro que não é só isso que nos dá longevidade, mas esse é o tempero da vida das pessoas bem realizadas com elas mesmas: fazer o melhor e não perder o sono, dormir com o “tranqüilizante” do dever cumprido, bem cumprido. Aqui entre nós a coisa não está muito diferente. A rapaziada quer lazeres durante o tempo de trabalho na empresa, quer semana mais curta, quer promoções mais rápidas e salários mais elevados… Ah, é, vadios? E qual a qualidade que oferecem no trabalho, uma qualidade cimentada pela ética, hein? Ninguém vence correndo a não chegar. Ou os empregadores batem o martelo das melhores exigências, sem as hipocrisias dos “todos iguais” ou irão à falência mais cedo. Não duvidem, quem o fizer vai se dar mal. E os pais o que estão ensinando aos filhos naquelas conversas lá na cozinha? Eu sei bem com o que eles estão preocupados, ô, se sei… Ah, a porta de saída para um mundo melhor está na educação familiar e na vergonha na cara.

CÉREBRO

Manchete de uma reportagem: – “Trabalhos manuais podem fazer bem para o cérebro”. A reportagem era ilustrada por uma mulher fazendo tricô. Por que os trabalhos manuais fazem bem ao cérebro? Porque enquanto estamos fazendo algo com as mãos a nossa atenção, o nosso cérebro, vai para lá, para as mãos. Distraímo-nos das encrencas, redirecionamos a atenção. Nos hospícios do passado era o que mais os internados faziam. Penso que vou aprender tricô…

LATINHAS

O que as pessoas mais fazem? Pegam uma daquelas latinhas de refrigerante, ou cerveja, passam o dedo, puxam o lacre e… Bebem na lata. Danação pura. Naquela superfície superior da lata há milhões de fungos e sujeiras que podem matar. Quem sabe disso? Quem acredita nisso? Ouvi um médico na tevê falando vigorosamente sobre isso. Coitado, perdeu tempo. O pessoal vai continuar passando o dedo e mandando ver… Gulp, gulp, gulp!

FALTA DIZER

Um comentarista de São Paulo diz que o time do Flamengo é uma “Ferrari”, mas está jogando como um fusquinha. E que a culpa é do treinador, um fusquinha… E os molengas que entram em campo nada têm a ver com as derrotas? Eles são os culpados, eles são as falsas “Ferraris”…

 

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Luiz Carlos Prates

Jornalista e psicólogo, palestrante há mais de 30 anos. Opina sobre assuntos polêmicos.