Olhos bem abertos – Luiz Carlos Prates

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Por: Luiz Carlos Prates

24/06/2023 - 06:06

Acabei de desligar a tevê. Assisti a um programa que discutia um assunto da moda, o famigerado “etarismo”. Expressão adotada no atual mercado de trabalho. Pessoas acima dos 40 anos vão ter que dar uma volta na quadra para arrumar outro emprego se forem demitidas do atual. Um horror. Aliás, no programa a que assisti, uma mulher falou em 39 anos, a linha divisória, com 40 anos nas costas as pessoas já são idosas para o mercado. Uma formidável estupidez, mas… São os tempos. E uma das razões desse “etarismo” vigente é que os jovens são bem mais baratos para os empregadores. Na televisão, então, você nem imagina. É só o que dá hoje emdia, jovens, “guris” e “gurias” sem traquejo, sem experiência, sem conduta adequada à função, vestidos de qualquer modo, piercings, “pinturas” por todo o corpo, bah, trastes visuais, mas… Baratos de pagar. Estou tratando dessa “pandemia” para lembrar às pessoas, aos jovens, que não sejam burras, que façam desde cedo, desde muito cedo, um bom planejamento financeiro, poupança e tudo o mais que for possível, não esquecer que ao chegarem aos 39 anos chegarão à velhice, a velhice de hoje no mercado de trabalho. E quem chegar de mãos abanando, pensando ser o tal, vai se dar mal. Claro que para a dirigir as empresas os donos não vão botar um “guri” ou uma “guria”, claro que não. Mas nas demais funções é só o que está dando e vai continuar. Continuar até quando? Até que o laço das dificuldades em vendas e conquista de mercado aponte o dedo da responsabilidade, ou da irresponsabilidade, dos levianos que adotaram o tal etarismo para poupar em salários e ganhar mais fora deles… E esse etarismo, que pega muito mais imediatamente as mulheres, é mais uma razão para que as gurias sejam educadas, desde muito cedo, para a independência financeira. E ninguém se vai tornar independente com salariozinhos, e muito menos devem ser tolas para pensar nessa independência casando. Aí o atoleiro vai ser maior, é não apostar, é não jogar com a sorte. Sei que perco meu tempo, a maioria das famílias ainda educa suas filhas para serem esposas e mães. Não dizem isso claramente, mas vão empurrando as meninas para esse abismo. Aviso dado.

VERDADE

Em todos os diplomas de jornalismo, uma inutilidade,devia vir a sentença bíblica: – “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Aliás, essa sentença devia ser jurada também pelos políticos, pelos médicos, por todos, enfim, que se acham alguma coisa. Só que… A verdade é remédio muito amargo, poucos podem tomá-lo sem vomitar. Esse “remédio” não é para qualquer um, mas… É o remédio de que o Brasil mais precisa. Remédio para “ontem”…

HIPOCRISIA

Debate esquentado em Florianópolis. De um lado, a turma de um movimento que quer conscientizar pessoas a não ajudar esmoleiros pelas ruas. Não são esmoleiros, Prates, são moradores em situação de rua, tu não sabes disso ainda? Como disse, muitos não querem mais os esmoleiros sendo ajudados com dinheiro; oferecem cama, comida, banho, roupas lavadas e trabalho, se aceitarem. Trabalho os afugenta… Uma guerra. Os que defendem os esmoleiros estão ganhando…

FALTA DIZER

Tenho ouvido declarações de atores, de atrizes, gente conhecida, falando de seus sustos existenciais a partir de uma doença “daquelas”, surgida de repente. São pessoas hoje bem cuidadosas com a saúde. Mas esquecem de dizer que nenhuma doença surge sem antes mandar “mensagens”. O corpo não adoece sem que antes a cabeça esteja “doente”. Regraeterna.

 

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Luiz Carlos Prates

Jornalista e psicólogo, palestrante há mais de 30 anos. Opina sobre assuntos polêmicos.