Toda eleição tem um momento em que a intenção de voto começa a dar lugar à decisão de voto. É justamente nessa reta final que entra em cena um fenômeno conhecido como voto útil: o eleitor que, por estratégia, abandona sua primeira opção para escolher outro candidato que considera mais competitivo. Não se trata necessariamente de mudança de convicção, mas de uma escolha calculada diante do cenário que se apresenta.
O exemplo nacional ajuda a entender o movimento. Augusto Cury chegou a 10% na Quaest divulgada em 7 de setembro, aparecendo em terceiro lugar. Nas semanas seguintes, porém, os números apresentados pelos institutos foram menores: 4% na Quaest de 28 de setembro, 5% na BTG/Nexus e 2% na AtlasIntel/Bloomberg de 29 de setembro.
A hora em que o eleitor começa a decidir
Em Santa Catarina, faltando poucos dias para a votação, o mesmo fenômeno pode ganhar importância. As pesquisas mostram que ainda existe uma parcela relevante do eleitorado sem decisão definitiva.
É natural que, com a aproximação da urna, o eleitor passe a olhar menos para a preferência declarada e mais para as possibilidades concretas da eleição. É aí que candidaturas podem ganhar ou perder espaço rapidamente. Mas pesquisa não é resultado de eleição, e percentual de intenção de voto não deve ser tratado como voto garantido.
Por isso, talvez o mais importante nesta última semana seja não transformar o voto útil em voto desinformado. Antes de decidir, vale conhecer o candidato, sua trajetória, suas propostas e o que efetivamente defende. O eleitor catarinense ainda tem alguns dias para fazer essa escolha com calma. Porque, no fim, o voto útil pode até mudar o desenho de uma eleição, mas a informação é o que permite que essa decisão seja, de fato, consciente.