Numa época em que livros parecem empreender uma árdua batalha contra as forças digitais, a ideia de uma pessoa conseguir, tão rapidamente, passar da indiferença para uma paixão devoradora na leitura é, infelizmente, algo improvável. Dados do Ministério da Cultura indicam que entre as pessoas que leem menos, o volume de leitura também está diminuindo. Numa recente edição da revista Exame, comentários de entrevistados em cargos de chefias revelam que seus subordinados são cada vez mais fracos quando se trata de citar uma leitura básica ou da compreensão de um assunto. “A capacidade de decidir, de analisar, de independência perante uma situação problemática, parece que as pessoas ficam paradas, sem ação”, comenta o entrevistado da revista. O que fazer diante disso? Perde-se a esperança de as pessoas um dia ainda serem atraídos para a literatura? E, o que leva alguém a amar tanto um livro que decide querer mais e mais leituras? Não existe uma resposta empírica. A gestação de um leitor fiel e comprometido é, em alguns aspectos, um processo mágico, formado em parte pelas forças externas, mas também por uma luz dentro da imaginação. Ter pais que leem, ajuda muito. Professores devotados também podem influir. Acredito que o livro certo para o momento certo pode despertar um hábito para toda a vida. Um despertador, eu diria. O momento que você encontra “aquele” livro o determinará para o resto da sua vida na leitura. Seria como uma droga, num sentido positivo. Se a pessoa tem o livro que a faça se apaixonar pela leitura, ela vai querer outro depois. Quanto mais jovem esse processo acontecer, melhor será. Sou contra os livros de literatura brasileira complexos serem solicitados para estudos para vestibulares. Se a pessoa não tem o hábito da leitura, aí que não vai querer ler mesmo. Acredito que devemos começar a ler, ler qualquer coisa. Sou uma pessoa que se despertou para a leitura tarde, com quase 20 anos de idade, num momento que tinha interesses e curiosidade por serras, montes nevados. Mergulhei definitivamente na paixão pela leitura. Devorei literaturas ligadas ao tema. A consequência disso me levou a buscar literaturas sobre pessoas, povos, países. Uma coisa leva a outra na literatura, sempre. E a consequência disso é o conhecimento, é tolerância, melhora no seu “se expressar”, aumento no vocabulário e uma saída para qualquer situação que nos deixa para baixo. Como dizia um sábio; quem lê viaja.