O veto ao PSD e seus reflexos em SC – Claudio Prisco Paraíso

Por: Claudio Prisco Paraíso

15/02/2024 - 06:02

Jair Bolsonaro, não é de hoje, tem o pé atrás com Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD. Os dois foram deputados federais no mesmo período. O pessedista é um articulador habilidoso, sem sombra de dúvidas. Mas é daquelas figuras carimbadas, espertalhão de plantão.

Está sempre preparado para uma composição. Vamos citar só dois exemplos. Lá atrás, Jorge Bornhausen o indicou como vice de José Serra, quando os dois disputaram as eleições de 2004 para a prefeitura de São Paulo.Serra havia perdido a eleição presidencial para Lula em 2002. Era o candidato de FHC, de quem foi ministro da Saúde.

Em 2004, o ex-senador venceu a eleição paulista. Aliás, Jorge Bornhausen, à época deixou muito claro. A composição do PSDB com o PFL passava por Kassab. Serra queria outro nome para vice.Em 2006, o prefeito de São Paulo renunciou para concorrer ao governo do estado e venceu. Depois, em 2010, o tucano renunciou no último ano e disputou novamente a Presidência contra Dilma Rousseff. Perdeu novamente.

No vácuoKassab, em 2008, se reelegeu prefeito da maior cidade da América Latina. Contra Paulo Maluf e Marta Suplicy, dois ex-prefeitos. Fez uma boa segunda metade de mandato e se reelegeu. Teve méritos, obviamente.

MeteoroEm 2016, João Doria Jr. conquistou a prefeitura paulista. Dois anos depois chegou ao governo estadual.Em 2019, Doria guindou Kassab à chefia da Casa Civil de São Paulo, função semelhante à que desempenha sob a gestão de Tarcísio de Freitas.

Ficha corridaCom Dória, Kassab não durou seis meses. Foi defenestrado após a aparição de uma série de cadáveres envolvendo o chefão mafioso.Ele está sempre atento. Sempre de olho. Agora no governo Lula indicou três ministérios na mega esplanada petista.

TripéAo mesmo tempo, atua no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e está com Ricardo Nunes (MDB), atual prefeito paulista, no projeto de reeleição.O emedebista sucedeu a Bruno Covas, de quem era vice. Covas conquistou a reeleição contra Guilherme Boulos e morreu poucos meses depois. Nunes administrou praticamente todo o mandato. Kassab, claro, está na prefeitura de São Paulo.

TrioEntão no município Kassab está com o MDB de Nunes; no Estado está com o Republicanos de Tarcísio e no plano federal o chefe do PSD é governo com o PT.

SambaPT que apoia Boulos (PSOL) à prefeitura de São Paulo justamente contra Ricardo Nunes. Ou seja, é um samba do crioulo doido daqueles.

Sem confiançaEssa é a figura que Bolsonaro tem um pé atrás há muito tempo. Bronca que ficou ainda mais acentuada justamente por todos esses movimentos de Kassab. É um oportunista clássico.

VetoTanto que o Estadão de São Paulo publicou uma matéria reproduzindo um áudio de Bolsonaro avisando que o PL não apoiará o PSD em nenhuma parte do Brasil.

RespingosHaverá reflexos em Santa Catarina, evidentemente. Não propriamente em relação a Topázio Silveira Neto. Não se trata de um bolsonarista de cruz na testa. O prefeito da Capital não encaminha sua carreira sob a sombra do Bolsonarismo.

OesteAgora a postura do ex-presidente da República traz transtornos evidentes para João Rodrigues, candidato à reeleição em Chapecó; e a eleição em Criciúma, onde Clésio Salvaro ungiu o vereador Arleu da Silveira.

DificuldadeO problema maior, contudo, é para o prefeito chapecoense. Que é outro oportunista de carteirinha. Vive gravando vídeos e afirmando que é bolsonarista desde sempre, que Jair Bolsonaro estará com ele em qualquer situação.

ConvivênciaSe o líder do PL adotar realmente o critério de não fechar com o PSD, isso pode dificultar Criciúma, mas criará um quadro desafiador em Chapecó. Bolsonaro gosta de João Rodrigues. Mas a convivência eleitoral poderá tornar-se impraticável.

Lembrar é viverNão custa lembrar, ainda, que Rodrigues tentou passar a perna em Jorginho Mello na pré-campanha de 2022, quando o atual governador não tinha um aliado sequer. O chapecoense tentou costurar uma chapa bolsonarista com ele próprio na cabeça, Clésio Salvaro de vice e o empresário Luciano Hang ao Senado.Não vingou, mas Jorginho não esquecerá desse episódio tão cedo.