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O ungido da direita – Claudio Prisco Paraíso

Por: Claudio Prisco Paraíso

30/08/2025 - 06:08

Qual é o candidato mais temido pelo Palácio do Planalto? Quem, efetivamente, causa preocupação ao PT, ao governo e ao próprio Lula da Silva, considerando-se que Jair Bolsonaro está, e deve continuar, inelegível? Tem nome e sobrenome. É Tarcísio Gomes de Freitas, o governador de São Paulo. Não apenas por já aparecer muito bem num enfrentamento com o atual inquilino do Planalto, mas, pelas perspectivas de crescimento ao longo da campanha, segundo pesquisas internas, contratadas pelos próprios petistas. Tarcísio não vai acumular o desgaste da família Bolsonaro, do ex-presidente e dos seus filhos. O apoio que ele venha a receber será bem-vindo, mas a rejeição não vem junto. Logo, seria o nome a ser respaldado pela prole bolsonarista. Tudo isso em tese, obviamente.
E lembrando: Tarcísio de Freitas era assessor na Câmara dos Deputados. Chegou a diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), no governo Dilma Rousseff.

Perfil

Conquistou espaço pela sua qualificação técnica, mas, ganhou projeção nacional como ministro da Infraestrutura do governo Bolsonaro, recrutado que foi pelo próprio presidente. Devido ao seu grande desempenho à frente da pasta, o ex-presidente inventou a sua candidatura ao governo de São Paulo, sendo ele carioca da gema. E deu certo.

Qualificado

E por que Tarcísio preocupa a Lula da Silva? Porque tem desenvoltura verbal, é um gestor testado, tem agilidade mental e é preparado. Consequentemente, o que deveria raciocinar Bolsonaro? Elegendo Tarcísio, já que eu estou inelegível e vou acabar preso, vou estar fazendo sucessor. Naturalmente. Mas não. Ele não se pronuncia, fica em cima do muro.

Do contra

E os filhos, os dois, o segundo e o terceiro, Carlos e Eduardo, disparam diariamente contra Tarcísio de Freitas, pelo fato de seu nome ser lembrado e por ser já o preferido, tanto do Centrão, englobando várias bancadas no Congresso Nacional, como também da Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, onde está a base do Sistema Financeiro Nacional e Paulista e a base do PIB de São Paulo e do Brasil.

Poder de atração

Então, ele consegue congregar uma candidatura consensual que recebe o apoio até dos outros governadores pré-candidatos, como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior. Então, é a solução ideal, mas não para os Bolsonaros.

Tripé

Além destes dois atacarem Tarcísio, agora o primogênito (Flávio), mais equilibrado, também está mandando recado. Segundo ele, ainda é muito cedo e Bolsonaro não pode ser considerado carta fora do baralho. Mas a realidade é outra. O ex-presidente foi tirado do jogo pelo regime. Simples assim.

Histórico

Senão, vejamos.
Em 2018, Lula da Silva estava preso, condenado por corrupção. O STF havia respaldado decisões proferidas por nove magistrados diferentes, confirmando a condenação do petista.
Mesmo assim, ele segurou a candidatura até a undécima hora. Não deu em nada: o PT teve que lançar Fernando Haddad, que foi derrotado por Jair Bolsonaro.

O verdadeiro golpe

Já em 2022, depois de o STF perceber que Bolsonaro havia partido para o enfrentamento direto e sem limites, Lula foi solto para poder concorrer.
O único objetivo era tirar Bolsonaro do poder — algo viabilizado pela condução da Justiça Eleitoral, na figura de Alexandre de Moraes, de forma tendenciosa e capciosa.

Zero chance

Alguma dúvida de que o Supremo não vai liberar Bolsonaro? Nenhuma.
Portanto, é preciso que ele faça logo a opção de fechar com Tarcísio de Freitas, porque a perspectiva de vitória é real, efetiva, concreta.

Sucessão

Não custa repetir: uma eventual vitória de Tarcísio, ainda que enfrentando todo o sistema viciado e corrupto, será também a vitória de Bolsonaro.

Pensar grande

Trata-se de um projeto de poder de um segmento ideológico.
Mas, para os filhos de Bolsonaro, não é disso que se trata.
Para eles, o projeto é familiar. E, com isso, a direita fica sem candidato competitivo por muito tempo, o que favorece quem?
Justamente aquele que é candidato à Presidência há 40 anos e já disputou seis eleições.

Sempre ele

Lula perdeu as três primeiras, ganhou as três seguintes e, ao que tudo indica, irá para uma sétima disputa.
Enquanto isso, a direita segue dividida e sem um nome firme, permitindo que ele avance e ocupe espaço. Ou seja: falta juízo, equilíbrio e bom senso na condução.

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