Li uma pergunta feita pelo escritor Rubem Alves no seu livro – “Rubem Alves – Essencial”, e fiquei pensando. O questionamento do Rubem era este: – “Só existe uma pergunta quando se pretende casar: – Continuarei a ter prazer em conversar com esta pessoa daqui a trinta anos”? Vou fazer uso dessa frase do Rubem Alves para dar uns giros por nossas vidas. Uma pergunta inicial: – O que é que mais nos provoca ansiedade, inquietações emocionais na vida? Sem dúvida, nossas mais retumbantes vivências vêm do passado e do futuro. Do passado vêm nossos azedos remorsos, arrependimentos ou saudades. Nada que possa ser mudado, páginas viradas, mas… Ele continua a nos inquietar. Já o futuro envolve desejos, sonhos, inseguranças e medos, uma mistura confusa e que não nos produz felicidade. A felicidade não pode estar alicerçada sobre a dúvida, logo… Dadas estas voltas, retorno à pergunta do Rubem Alves: – Será que daqui a trinta anos vamos ter prazer em conversar com esta pessoa com quem estamos casando? Respondo sem piscar: se for um casamento por amor, sim, vamos ter o maior prazer em continuar tomando chimarrão com essa pessoa e conversando a melhor conversa: de tudo um pouco e, mais que tudo, das amenidades da vida. O amor eleva-se no estar lado a lado. – “Ah, Prates, tu és muito fantasioso, tu não sabes o que anda por aí”! É por saber que digo o que digo. Amor cresce na passagem do tempo, claro que esse amor vai mudar de “roupa”, vai ser diferente diante do outrora arrebatamento sexual ou buscas por distinções inúteis. O amor muda seus modos de manifestação ao longo do tempo, mas não muda na essência. Um casal que não encontre prazer em conversar um com outro não é casal, é dupla… Hoje as conversas entre os casais, de modo majoritário, são trocas de informações, não conversas. Informações sobre contas a pagar, sobre filhos no colégio, sobre isto ou aquilo, tudo superficialidades vazias. Conversa que é bom, bah, coisa rara. Nesses casos, desculpem-me, mas isso não é mais casamento, isso se um dia o foi… Ajuntamentos, viver sob o mesmo teto e até na mesma cama estão longe de tipificar casamento. O melhor sinal de um fim é o silêncio…
ALIANÇAS
No passado, em muitas tevês, era “lei”. Apresentadores de telejornais, homens e mulheres, eram “aconselhados” a não usar alianças de casamento quando estivessem no ar. Por quê? Os apresentadores eram, ainda são, razoavelmente bonitos, bonitas, e isso produz “sonhos” em muitos telespectadores, sonhos de um romance, vai que… Há quem ligue a tevê só para ver “ela” ou “ele” e… As “alianças” acabam com os sonhos. Será?
RELIGIÕES
Se a fé, a crença religiosa da pessoa, não for algo discreto, silencioso, absolutamente pessoal, vira bloco de carnaval, do pior dos carnavais. Então, sem essa de “jovens” estudantes, universitários, como aconteceu dia destes aqui entre nós, erguerem a voz e baterem o pé pelo direito de praticar cultos religiosos na área escolar. Que o façam em casa com o papai e com a mamãe. Será que os “ingênuos” não sabem que o Brasil é um país laico? Não temos religião oficial, não temos. Ponto. O mais é na salinha dos fundos.
FALTA DIZER
Relevar crimes pesados, crimes que foram previamente pensados, afinal, ninguém é ignorante para sair por aí sem saber o que vai fazer, têm que ser punidos. Pesadamente punidos. Punidos, sem gemidos. O Brasil não pode abrir a porta para o penhasco…