Crianças gostam de ouvir histórias, adultos deviam gostar de ouvir verdades, mas… Dia sim, dia não ouço alguém dizer que espera por dias melhores, espera por uma vida melhor, mas… Fica no verbo esperar. Quem espera não alcança. Tudo depende de nós, das nossas decisões, do nosso suor. Muitos estão esperando por dias melhores a partir de novos governos, esperando que “alguém” lhes melhorem a vida. Frouxos. Vida melhor, dias melhores dependem de nós. Será que um novo governo, seja o governo que for, vai melhorar os casamentos “ácidos” que andam por aí? Será que o salário dos operários vai aumentar? Que os ingênuos tirem o cavalinho da chuva. Será que o guri, vadio, que não estuda em casa nem presta atenção durante as aulas vai passar de ano sem provas de recuperação? E muitos pais safados culpam os professores pela vadiagem dos filhos. Vale para tudo e todos nós na vida; ou fazemos a nossa parte ou peçamos demissão da vida… Acabei de fazer minha caminhada diária, com fones nos ouvidos, é claro, escutando palestras em inglês. Ao exercitar o corpo podemos de igual modo e ao mesmo tempo exercitar os miolos… O palestrante, nos meus ouvidos, um velho “amigo”, HJ Hoge, perguntava sobre o sentido da vida. Respondi na hora: a vida não tem sentido, nós é que temos que dar à nossa vida um sentido, coisa só nossa. De outro modo, vamos depender dos outros ao longo da vida e culpar esses outros pelos nossos tropeços e infelicidades. Tudo é coisa nossa. Espertalhões que queriam “aprisionar” o povo com histórias assustadoras criaram as religiões para faturar nos “dízimos” e provocar medos. Tudo carochinha. O sentido que precisamos dar à nossa vida, para não ensandecer antes do tempo, tem que ser criação inteiramente nossa. A vida não tem sentido senão o que dermos a ela. Analfabetismo, casamento ruim, salário minguado, emprego aborrecido, saúde combalida, zero na poupança… E de quem é a culpa? De cada um de nós. Aceitar essa verdade, a de que a vida não tem sentido e que tudo depende de nós, é flecha envenenada para a maioria, mas… Não há saída, senão a que acharmos para a nossa vida.
VERDADE
Alceu Valente, cantor/compositor, completou 80 anos. Numa entrevista nacional, ele disse que – “A pior coisa do mundo é a tal de aposentadoria. É bom, é necessária, mas o aposentado deve arrumar alguma coisa para realizar. Caminhar, curtir o mar, ir para uma floresta, tomar algo. Parou, está lascado”. Alceu falou de modo teatral, mas disse a verdade, aliás, acho que o Alceu anda me lendo aqui no jornal, ah, acho sim. Vivo jogando pedra na sonhada aposentadoria. Sonhada pelos sem rumo na vida.
BARULHO
Tenho dito e cansativamente repetido, mas… As “autoridades” nada fazem. Motos barulhentas, deixadas barulhentas, andam por aí, soltas, dirigidas por vagabundos que precisam ser pegados. Pegados de um modo ou de outro. Fazem, provocam barulho para se exibir ou provocar as pessoas. Ah, é? Na salinha dos fundos eles vão aprender rapidissimamente o que é bom para a tosse. Em segundos. E depois vão viver apreciando o silêncio, ah, vão. Vagabundos.
FALTA DIZER
Muitas mulheres se deixam silenciar por companheiros ordinários. Fui ao supermercado e na calçada uma jovem mulher, bem-vestida, bonitinha, mas… Com ela um vagabundo de bermudas e sem camisa. Sem camisa na rua? E se fosse ela, a mulher, a sair sem blusa, ele deixaria? Vai te vestir, vagabundo, respeito é bom e barato.