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O poder do não

Por: Luiz Carlos Prates

11/09/2026 - 07:09

Para ser simpáticos basta que vivamos a dizer “sim” para os outros. Num primeiro momento nos vão ter por simpáticos, corteses, porém… O sim é uma porta perigosa. O sim costuma produzir muito mais aborrecimentos e arrependimentos que muitos e muitos “nãos” acumulados. O não pode ser tido como grosseria, antipatia, má vontade, porém o não, mais das vezes, é nossa paz e até mesmo nossa salvação. Uma das frases que guardei na memória diz que – “Não, é a palavra mais fácil e realizador que existe”. Se alguém diz não, os problemas acabam. Os problemas começam quando você diz sim. Muitas vezes a pessoa evita o não e diz sim para não magoar ou criar caso com quem está à sua frente, um marido, digamos. E as consequências? Quem diz sim num primeiro momento, diante de algo que não é bom ou simpático para si mesmo, vai gemer mais tarde. Virão outros momentos parecidos e outra vez a pessoa fraca, medrosa, vai repetir o sim, quando o que lhe cutuca o coração é o não… Os safados, os meliantes bem vestidos, buscam sempre o sim das pessoas. Aliás, essa vivência é o desastre da maioria dos casamentos, mulheres dizendo sim por conveniência, medo ou fraqueza existencial. E vai se dar mal, vai gemer doloridamente no futuro. O sim abre portas quase sempre indevidas, o não as fecha, contudo… O não costuma ser a independência da pessoa, de nós todos diante de algo que não nos passa bem pela goela da nossa vida. Um professor em sala de aula que não puna adequada e incondicionalmente um guri safado, um colador de provas, um bagunceiro vai pagar caro por isso, além, é claro, de encaminhar para a vida um futuro bandoleiro. Punir sempre e adequadamente, uma punição que tem o nome de “não”, não aqui, não comigo, é o caminho para a educação e a paz para o educador. Muita gente diante de uma proposta onde o sim e o não precisam ser pensados, vacilam e para não ofender dizem sim… Abriram, quase certo, um buraco sem fundo para os arrependimentos. Insisto, esse “regulamento”, dizer sim ou não, deve ser um lembrete permanente nos namoros e mais que tudo nos casamentos. Antes é melhor que depois…

LIVRO

O livro é forte, pesado, mas… Só conta verdades da vida nas UTIs hospitalares. O livro tem por título – “História que curam”, da médica americana Rachel Naomi Remen. Certa altura, nas descrições de vivência em hospitais e clínicas, ela fala da moderna “Medicina Empresarial” e do empreendedorismo tecnológico na saúde. Resumindo a história, o preponderante hoje nos tratamentos médicos é o lucro. Humanismo, ética? Como se escreve isso?

PROFESSORES

Que os candidatos tomem vergonha na cara e quando falarem de escolas falem de professores bem treinados, competentes e bem pagos. Tudo o mais é lorota para boi dormir. Nos interiores do Brasil há escolas e aulas debaixo de árvores, mas… Os alunos são da melhor qualidade em provas já confirmadas em âmbito nacional. A qualidade do professor e o respeito salarial por eles é o que conta. Certo? Acho bom.

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FALTA DIZER

No passado, as consultas médicas duravam 50 minutos. Os primeiros 30 minutos eram os da chamada anamnese, um tempo em que o paciente contava de tudo de sua vida diária e passada. Desse relato o médico ponderava sobre possíveis causas da doença. Uma audição e vivência humanas, alicerces do bom diagnóstico e futura cura. Aonde isso hoje? Alguns minutos, superficialidades e… Deu.

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Luiz Carlos Prates

Jornalista e psicólogo, palestrante há mais de 30 anos. Opina sobre assuntos polêmicos.