O presidente do MDB Nacional, o deputado federal Baleia Rossi, cumpriu com o que prometeu. Lá na janela partidária de março, quando parlamentares podiam trocar de legenda sem perder o mandato, vários deputados catarinenses o procuraram preocupados com o destino da sigla. A razão era clara: o MDB ocupou três ministérios no governo Lula da Silva por três anos e meio. Simone Tebet, derrotada na disputa presidencial de 2022, foi para o Ministério do Planejamento. O filho de Jader Barbalho, para o Ministério das Cidades. E o filho de Renan Calheiros, para o Ministério dos Transportes. Três ministérios, três famílias, três estados: Pará, Alagoas e Mato Grosso do Sul, embora Simone Tebet já tenha transferido domicílio para São Paulo e assinado ficha no PSB. O MDB catarinense, mais conservador e contagiado pela onda bolsonarista desde 2018, ficou com o pé atrás. Baleia Rossi ouviu o recado e agiu. Também pela manifestação de vários outros Estados.
Temer segurou o partido
Outro fator pesou. Baleia Rossi virou presidente do partido pelas mãos do seu padrinho Michel Temer, quando esse ocupava a posição de vice de Dilma Rousseff. Com o impeachment da petista, até hoje Lula da Silva acusa Temer de golpista. Evidentemente, ele não deixaria o MDB compor com Lula.
Uma frente, não um partido
O MDB continua sendo o que sempre foi: uma grande frente. Nasceu no regime militar como contraponto à Arena, que dava sustentação aos generais-presidentes. E esse DNA permanece. Abriga tendências ideológicas e programáticas das mais diversas. No Norte e Nordeste do Brasil, compõe mais com a esquerda. Do Centro-Oeste para baixo, com a direita. É sua natureza, sua história, sua contradição permanente.
Solução cômoda, mas necessária
A saída encontrada foi a mais cômoda possível. Na convenção do MDB online realizada na segunda-feira, ficou decidido que os diretórios regionais estão liberados para encaminhar apoios de acordo com seus interesses e características regionais. Cada um vai para o seu lado sem rachar o partido nacionalmente.
SC acerta com o PSD
Aqui em Santa Catarina, o MDB que caminhava para fechar com o PL, acabou acertando com o PSD, que assim como os liberais, tem candidato à presidência da República. O mesmo vale para a federação União Progressista, que também adotou postura de neutralidade, liberando seus integrantes. Porque assim como vários emedebista vão continuar com Jorginho Mello, há membros da federação no projeto de reeleição do atual governador. Fica tudo mais fácil.
O risco do definhamento
O grande problema está além da eleição deste ano. Partido ou federação que não lança candidato à presidência e ao governo do estado tem tudo para ir aos poucos definhando, perdendo consistência e colocando em xeque sua sobrevivência partidária no médio ou longo prazo. O muro é cômodo agora. A conta pode chegar depois.