Olha, essa massa de ar polar tá pegando. De bater o queixo. Engraçado é que é um frio que não é só na pele. É de dentro pra fora também, daquele frio que te faz querer comer coisas quentinhas sem parar. Claro, tem gente que já nem lembra como derretíamos no verão e tá fazendo post com contador regressivo de Chega Verão. A friaca chegou tão cedo e forte, que andamos na rua e sentimos (enquanto o nariz não congela) aquele cheiro de naftalina. Aí o sujeito ainda diz: “Nossa, quanto tempo não ficava frio assim! Uns três anos que eu não precisava usar esse casaco.” Não era necessário avisar, a naftalina já tinha acusado. Mas, tudo bem, pior mesmo é o lageano erradicado na região que vem naquela: “Agora já tá fresquinho. Essa noite fui obrigado a puxar um lençol pra cobrir as pernas.” Não sei vocês, mas eu estou numa idade onde minha esposa e eu passamos o fim de semana tendo que fazer revezamento para sair da coberta e buscar suprimentos (salgadinho, chocolate, refri, paçoca). Enfim, alimentos básicos de qualquer adulto responsável. Pra ver como as coisas mudam, né? Uns quinze anos atrás, podia cair uma nevasca, chover um oceano, só ficava em casa se a mãe algemasse na cama. “Não vai, guri. Tá caindo um dilúvio!” “Nem tanto, mãe. Olha, vou pegar carona naquele caiaque que tá passando. Tá mundo confirmado.” Adolescente é igual a super vilão. Se usasse sua determinação e criatividade para o bem, ia ser uma beleza. Mas, só quer saber de besteira. Dia desses, eu estava numa sala de espera ao lado de duas garotas de treze anos. Sei a idade por que uma delas falou. As duas estavam super empenhadas em descobrir o dia, mês, ano, hora e local de nascimento de um rapaz. - Meu, liga e pergunta. - Capaz, o que eu vou dizer? - Diz que é pra um trabalho de escola. - Ah, sim! Que trabalho é esse? Faça um paper com os dados do menino que você é apaixonada? - Ah, inventa alguma coisa. - Pergunta você. - Tá bom. Vou mandar um Whats. Rick, pode me passar teu dia e hora e lugar que nasceu? É que eu e uma amiga queremos fazer o teu mapa astral pra ver se vocês dá certo com uma conhecida nossa. Meus amigos, isso mesmo. As meninas estavam empenhadas em fazer o mapa astral do rapaz para saber se eles eram compatíveis. Daí, é mensagem de voz de Whatsapp na cara dura. Claro que no meu tempo as meninas também tinham essa preocupação toda de saber as chances de dar certo com os garotos, mas, para descobrir essas coisas, elas faziam aqueles cadernos de perguntas, que sempre acabavam com a frase: Deixe uma mensagem para a dona do caderno. Nem sei por que estou falando isso. Deve ser o frio que afetou. Voltando para o assunto, eu tô é precisando de um pinhão e um quentão pra aquecer a alma. Que comecem as festividades de junho! Ah, falando em festas de junho, quem dança somos nós. Por que a quadrilha tá é rindo da nossa cara. “Olha a polícia! UUUUU. É mentira pessoar.” “Arquivando denúncia! EEEEE” Tanãnãnã Nãnãnã Tanãnãnã Nãnãnã “Coloca tornozeleira! UUUUU. É mentira pessoar. É sempre mentira, pessoar.”