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O desespero de Décio Lima

Por: Claudio Prisco Paraíso

26/06/2026 - 06:06

A entrada de Antídio Lunelli no jogo do Senado provocou um abalo sísmico na canhotada estadual. O PT ainda tenta entender o tamanho do estrago político causado pela confirmação da pré-candidatura do empresário e deputado estadual emedebista.

Até então, o partido de Lula trabalhava com a expectativa de que o MDB pudesse ficar fora da disputa majoritária ao Senado em 2026, abrindo espaço para Décio Lima avançar sobre uma fatia relevante do eleitorado emedebista, especialmente no segundo voto.

Mas o tabuleiro mudou.

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Com Antídio Lunelli na corrida, formando dobradinha com Esperidião Amin, o cenário embaralha completamente os cálculos petistas. O ex-prefeito de Jaraguá do Sul entra justamente no espaço do MDB moderado, de centro, conservador nos costumes e pragmático na política. E isso atinge diretamente a estratégia de Décio Lima, que sonhava capturar votos órfãos do 15.

Aham

Não por acaso, Décio Lima passou a recorrer, nas entrevistas recentes, a uma verdadeira operação nostalgia.

Ressuscitou figuras históricas do MDB, especialmente Luiz Henrique da Silveira e Casildo Maldaner, numa tentativa quase desesperada de construir uma ponte sentimental com o eleitorado emedebista.

Como assim?

Décio Lima resolveu agora vender a tese de que Luiz Henrique da Silveira tinha alinhamento com a esquerda. Uma forçação de barra monumental.

É verdade que, em 2002, Luiz Henrique surfou parcialmente na onda lulista que levou Lula ao Planalto na quarta tentativa presidencial. Também é fato que o PT apoiou o peemedebista no segundo turno contra Esperidião Amin.

Mas transformar isso em identidade ideológica é reescrever a história política catarinense. Típico dos comunistas nacionais e internacionais.

Pragmatismo

Luiz Henrique era, acima de tudo, um articulador pragmático. Um centrista clássico.

Dialogava com todos os campos, mas nunca pertenceu organicamente à esquerda.

Não vingou

Logo no início do governo Luiz Henrique, houve, sim, uma aproximação com o PT.

Em fevereiro de 2003, o MDB ajudou a eleger o petista Volnei Morastoni para a presidência da Assembleia Legislativa. Num gesto político calculado, Luiz Henrique transmitiu o governo interinamente ao petista durante viagem internacional, levando junto o vice Eduardo Moreira.

Genuinamente

O então presidente nacional do PT, José Genoino, desembarcou em Florianópolis para prestigiar a cerimônia.

Parecia o início de uma aliança estratégica.

Não foi.

Atravessada

A aproximação naufragou principalmente pela resistência interna do PT catarinense.

O então líder petista na Assembleia, Afrânio Boppré, combateu sistematicamente o governo Luiz Henrique.

Extremista

O histórico de Boppré já mostrava um perfil ideológico rígido.

Ex-vice-prefeito de Florianópolis na gestão de Sérgio Grando, carregava a tradição mais radical da esquerda catarinense.

O resultado foi inevitável: Luiz Henrique desistiu do PT e foi buscar o então PFL.

Ovo de Colombo

A ruptura abriu espaço para a construção da aliança entre MDB e PFL em 2006.

Luiz Henrique aproximou-se de Jorge Bornhausen e consolidou Raimundo Colombo como candidato ao Senado na chapa governista.

Ali morreu qualquer possibilidade de alinhamento estrutural entre MDB e PT em Santa Catarina.

Décio Lima sabe disso. Mas, bem ao seu estilo, dissimula, disfarça e faz de conta que não é com ele.

Sério?

Tanto sabe que, agora, faz uma espécie de autocrítica tardia, admitindo que o PT pode ter cometido um erro histórico ao rejeitar a aproximação com Luiz Henrique.

Mas há um detalhe constrangedor nessa narrativa: Afrânio Boppré, o principal opositor daquela composição, hoje está no PSOL — exatamente o partido aliado do PT na atual disputa ao Senado.

Ou seja, Décio tenta condenar o passado sem desagradar o parceiro do presente. Malabarismo de petistas que fazem o diabo pelo poder.

Antídio mudou tudo

O fato concreto é que a entrada de Antídio Lunelli reorganizou o jogo.

Esperidião Amin passa a ter um ativo poderoso: a conexão com o eleitorado emedebista mais tradicional.

Antídio funciona como ponte natural entre os eleitores fiéis do progressista e setores históricos do MDB que jamais migrariam para o PT.

Menos, Décio

Isso reduz sensivelmente o espaço de crescimento de Décio Lima.

Claro, o favoritismo momentâneo ainda recai sobre os nomes mais identificados com o bolsonarismo, como Carol De Toni e Carlos Bolsonaro.

Mas a eleição para o Senado, especialmente com duas vagas em disputa, sempre reserva surpresas no comportamento do segundo voto.

Boa dupla

E é justamente nesse terreno nebuloso que Esperidião Amin ganha musculatura com Antídio Lunelli ao seu lado.

Já o PT segue tentando convencer Santa Catarina de que Luiz Henrique da Silveira era “de esquerda”.

Uma narrativa que nem os antigos aliados do ex-governador parecem dispostos a comprar.

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