O mesmo Antídio Lunelli que foi barrado em sua pretensão de concorrer ao governo do estado pelo MDB em 2022 é quem salva o partido de uma participação extremamente debilitada no pleito de 2026. O MDB já é coadjuvante na medida em que não lança cabeça de chapa ao governo, ainda mais tratando-se do partido que foi durante mais de quatro décadas o maior de Santa Catarina. Mas imagine só se Antídio não concorresse ao Senado. A participação se restringiria ao deputado federal Carlos Chiodini, presidente estadual do partido, como companheiro de João Rodrigues. Como vice, Chiodini não aparece. Nem o número 15 do MDB daria o ar de sua graça. Antídio Lunelli faz o partido respirar e evita um vexame histórico.
O perfil que ninguém tem
Antídio surge nessas eleições como o grande azarão da disputa ao Senado, com um perfil único e absolutamente diferenciado em relação a todos os outros candidatos. Esperidião Amin está no segundo mandato, foi duas vezes governador, duas vezes prefeito de Florianópolis e tem quatro mandatos de deputado federal. Décio Lima também ocupou vários cargos eletivos. Carol De Toni está no segundo mandato de deputada federal. Carlos Bolsonaro acumula vinte anos como vereador no Rio de Janeiro, antes de se transferir para Santa Catarina. Afrânio Bopré foi vice-prefeito de Florianópolis, deputado estadual e hoje atua como vereador.
Veio da vida, não da política
Antídio Lunelli foi prefeito de Jaraguá do Sul por dois mandatos e hoje é deputado, mas tem uma trajetória que começou do nada. Foi colono, empregado, começou a empreender ainda jovem e, como empresário vitorioso, construiu uma empresa por mérito próprio, contando com a parceria dos irmãos. É o único entre todos os candidatos ao Senado que não veio da política. Veio da vida. E numa eleição em que o eleitor está cada vez mais descrente das velhas carreiras, esse diferencial pode valer muito.
O azarão que pode surpreender
Em uma eleição com duas vagas, tudo pode acontecer. Os favoritos são os liberais Carlos Bolsonaro e Carol De Toni. Mas o segundo voto ao Senado sempre é muito traiçoeiro. E um candidato com perfil empresarial, história de superação e sem o desgaste de décadas na política, pode capturar exatamente o voto que ninguém estava esperando.
Dobradinha que soma votos
A entrada de Antídio em dobradinha com Esperidião Amin vai garantir mais votos MDBistas ao senador, considerando a histórica rivalidade entre ele e os emedebistas. Mas ao mesmo tempo, o perfil diferenciado de Antídio pode fazê-lo crescer de forma orgânica, capturando o segundo voto de eleitores de Carol De Toni, de Carlos Bolsonaro e de quem vota em Esperidião Amin. Uma dobradinha que soma em vez de dividir.
O nome do MDB para 2030
Ganhando ou perdendo a eleição ao Senado, Antídio Lunelli vai se transformar no grande nome e principal expoente do MDB para 2030. Até para que o partido mais uma vez retome a dianteira e lance candidatura ao governo do Estado. Sob pena de desaparecer ao longo dos próximos anos.